quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Verso e reverso



Fui a casa do João
No terreno do lixão
Uma telha sim outra não
Parede em desalinho
Não há janela, paisagem não é bela...
Becos de poeiras, esgotos a céu aberto
Clamam por solução
Um poste bem ao lado
Um luz bem fraquinha
Clareia os rostos dos atores
Da última festa cívica
Um cartaz com a foto
Para prefeito Amigo de Si
Andei com meu olhar ao redor
Lá em um beco sem saída
Três menores em suas mãos a sentença
O fuzil, que não dá segurança
A pistola da morte
O cigarro que mata as famílias
Eu e minha mochila de conceitos
Na parede de um casebre
Os dizeres: vendo cloro e cocada
Cerveja e 51
Pipa e picolé
Vou a outra casa ,antes de me servirem
um copo d'água, olho para água!!!
Me lembro o que mata não é o que entra pela boca
As lágrimas deste povo eu julgo
Eu com minha mochila de conceitos
Com, préconceitos mal feitos
Na calçada de terra um menino brinca
O carrinho de três rodas o motor em sua boca
Viaja ...Deus sabe aonde
Ele era imagem da felicidade
Buzinou para não me atropelar
Sorriu e foi embora
Uma menina sujinha tadinha
Com umas fotos em suas mãos:
Aurora boreal e um arco-íris
Perguntei-lhe o que era aquilo
Ela com a sabedoria infantil
-Estas aqui são as avenidas coloridas
que me leva para outra cidade (arco-íris)
-E esta outra estrada é a que me leva até o sol (aurora boreal)
Silenciei-me, veio as lágrimas...
-O que você vai fazer lá na outra cidade?
- salvar a minha boneca ela está chorando
-E lá no sol o que você irá fazer
-Vou chupar bastante picolé
Pensei um pouco, quando os homens virão
Aqui ? depois da Olimpíada de 2016 ?
Depois que os deuses do Olimpo forem reverenciados?
Lá não estarão no pódio estas crianças
E as nossas perderam a oportunidade de correrem juntas
Choremos em nossos sonhos...
Ao sair desta comunidade um panfleto pisado pelos homens, dizia:
A procura de algo novo?
"Se pois o Filho vos libertar verdadeiramente sereis livres.
Eu vim para que tenham vida e tenham com abundância"
João 8;36; 10:10 palavras de Jesus.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mosaico




Como construir um mosaico?
Não Estático
Os homens não falam
As pedras clamam
Como juntar diferentes seres
Formar um mosaico
Juntar as Pedras
Formar um quadro vivo
Com pedras mortas
Um Ébrio
caído na praça
Corruptos orando por propina
Crianças cheirando cola
Portas de Catedrais fechadas
Pastores de si mesmo
Pregando prosperidade
Como fazer um mosaico?
Juntar Pedras Vivas
Como muitas mortas
Nada de mosaico Estático
Construir um mosaico, com todas as pedras
Onde a Pedra Angular
A Pedra do fundamento
Seja o Cristo
O que fora rejeitado pelos Construtores
Se Tornou uma pedra angular
A Pedra de Salvação
Os que não creem tropeçam
Os que creem formem um altar
Com um desenho, nascido de novo
Um altar para Jesus.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Viver ou viver


Falamos e não vivemos
Vivemos e não falamos
Incoerência estampada
Insuficiência notada
Improviso no viver
Gestos são marcas:
Orgulho, vaidade, contendas
Somos seres cultuando o nada
Em nossa frieza cavamos túmulos
Senão compreendemos o viver,
Vivemos o morrer
Viver o eu, é morrer o nós
Viver o nós, é viver em Cristo
A comunhão com todos,
A comunhão com Deus
Em espírito...O caminho é Jesus
O Viver começa em Cristo
A luz exata, que nos clareia o viver
Sem ele tatiamos... em nosso escuro
Com ele, se nasce o viver ...
E aprendemos como não morrer.




terça-feira, 24 de novembro de 2009

Oração


Em meu quarto com a porta fechada
Ele já sabia o quê me afligia
Não verbalizei nenhuma palavra
Ele já sabia o quê eu necessitava:
Respostas para minhas preocupações
Tanto horror, tanta dor...
nos jardins não há mais flores, porque não há abelhas
Não há peixes, porque, não há água
Não há homens, porque não há meninos
Eu em meu quarto: "Até quando Senhor?"
"O céu e a terra passarão, minhas palavras não"
"Um será tomado, outro será deixado"
Não pelo rosto, não pelo posto,
Não pela raça, não pelo gosto
Humanismo, que não humaniza
Crenças, lendas, religiões
Mortos enterrando mortos
Os que vivem sem atenção
No céu todos não mais verão
As balas traçantes do tráfico
Nem os cartuchos deflagrados sendo vendidos,
Para alimentar as pobres crianças
Ele está vindo e virá
Nas nuvens! O Senhor de todos!
O juiz de muitos
No meu quarto ouço seu dizer:
Em mim há um inicio
Em mim há um fim
Quem nascer de novo, me verá reinar
Onde não haverá mais dores e prantos
Em um novo céu, uma nova terra.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pare e pense


Muitos pelas ruas preservando o corpo
O quê há de errado ao chegar a este estado
O barulho e intenso eles não ouvem
-Preserve sua alma
Muitos outros, a juntar e preservar muitos bens
Há um anuncio por trás disto:
Gostamos do que enferruja
Há uma agitação eles não dão atenção
- preserve o que dura
Sonhamos em ser estrelas, os primeiros lugares
-Seja como meu filho , um humilde servo
Com os nossos ritos e obras pensamos em perdão
-Eu penso em confissão
Ele controla tudo, nos não controlamos nada
O que nos preocupa, não preocupa ele
Com ele há reserva de ar para todos
Há água para muitos
Há um sol sem igual
Vou viver antes de morrer
-Uma voz diz morra se quiser viver
Negar-se a si mesmo
Isto não pode ser real
- Quer pensar em meus sonhos ?
Muitos querendo dar fim aos seus inimigos;
-Eu quero ressuscitar os doentes
De corpo, alma e mente
Pare e pense...


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Meu andar...




Eu andava só contigo...
Fui em sua casa muitas vezes,
Ouvi suas mensagens, fiquei alegre e até feliz
Eu o conhecia de ouvir dizer, de alguém falar
Eu fui em sua casa em busca de uma proteção
Ouvir sua voz...Não!
Nos domingos me aprontava, em belas
roupas me adornava, com os cânticos
eu me empolgava mas com suas ordens
eu não me dava
Eu andava contigo
Aos poucos vieram outras canções
Que embalaram meu dormir
Está muito frio, chove muito, deixe pra depois
As melodias que nos afastam de Deus...
Você é muito novo, há uma longa e larga estrada
Eu andava contigo
Os prazeres deste mundão
Tem deixado muitos no chão
Os prazeres da bebida, drogas, prostituição
Eu andava contigo?...
Fiquei no porta luvas do teu carro naquela rua escura de sua vida...
Fiquei em uma gaveta de um velho armário
Quando você mentiu para seus pais...
O que você não sabe, eu sempre
estive contigo
Eu estou em todos os lugares
E sempre andei contigo
Mesmo você me ignorando
Estarei sempre te amando
Arrependa-se, volte pra mim
só assim verás como é bom andar no meu andar...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Crer


Há de se crer
Quando se ouviu dizer
Este é meu filho amado
Há de se crer quando suas
vestes reluziram
Há de se crer quando o cego enxergou
O paralítico que não andava caminhou
Há de se crer quando se vê
Um homem andando sobre as águas
Há de se crer um morto ressuscitou
Que poder! há de se crer
Lázaro ressuscitou! há de se crer
Mas o que dizer de quem nunca
Fora seu seguidor
que seus atos e milagres não presenciou
Crer em um homem ensanguentado
Com feridas profundas e maltratado
Um ser vivendo os insultos e deboches
Como crer em um farrapo com uma coroa de espinhos?
Preso em sua ultrajante dor
Como crer?
Um cenário de derrota, como crer?
Mas um ladrão condenado ao seu lado:
-Eu sei porque recebo castigo pelos meus atos
Mas este nenhum mal fez
Como estar em igual sentença?
-Jesus lembra-te de mim
Quando vieres no teu reino
Disse-lhe Jesus: hoje estarás comigo no paraíso
Com este ato há de se crer






domingo, 4 de outubro de 2009

Além Mar




Anda Pedro! e seu pescado
Anda Pedro! nesses mares revoltosos
Pedro e suas tempestades...
Na ignorância de sua rede
Na incerteza de seus peixes
É chegado a hora de trocar seu barco
De trocar sua rede
Agora é hora de um outro cais
Pedro o sábio do mar
o errante sobre o sal
Anda Pedro! diz aos homens
que de tanto pescar, você foi pescado
Anda Pedro! diz aos homens que você
Encontrou em terra o Deus
Maior que neturno
Anda Pedro!
No espanto da dúvida:
Não...Não...Não !...
Eu não sei dos homens eu só sei do mar
Anda Pedro! diga o quê você aprendeu com Jesus
Pedro chorou, chorou...
Sua alegria voltou quando Cristo o indagou
Tu me amas?...Tu me Amas?...Tu me amas?
Mandaram calar , Pedro falou,
Jesus é o Cristo de Deus.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Não vi


Não vi com os olhos de se ver
Não ouvi com os ouvidos de se ouvir
Não reparei a minha volta
Não me fiz como o bom samaritano
E sim o sacerdote e seu engano
Eu me vi no levita que se agita: passei de largo
Eu não vi o sofrido ao lado
Não atendi o seu chamado
Na solidão da multidão
O próximo morre ao chão
Não vi com os olhos de se ver
Onde estava meu coração?
Nos tesouros que cá estão
Não ouvi com os ouvidos de se ouvir
Os Ais de Jesus, eu não entendi
Juntei-me aos fariseus e seus fermentos
E ao faminto eu minto
Por que hoje é sábado
De uma lei tão fria
Não vi quem passa fome
Do pão da vida
Desculpa-me, vou ver meu campo
Desculpa-me, vou ver meus bois
Casei-me, estou em festa
Não ouvir com os ouvidos de se ouvir
É recusar o banquete de Cristo
Já os pobres, os aleijados e os cegos
Viram com os olhos de se ver
Provaram de sua ceia
Perdão ...perdão ...

Que eu veja com os olhos de se ver
E ouça Jesus dizer o que é religião.

domingo, 13 de setembro de 2009


Bem Perto
Os desejos dos homens:
Saber o que há por detrás das galáxias
Vamos, nossos olhos precisam desvendar os mistérios
Haverá um novo Éden?
Frutos de um doce bom?
Perfumes de flores inigualáveis
Viagens rumo ao abissal
Para ver e tocar em outros corais
Bem lá fundo no mar do nosso mundo
Haverá outros tesouros?
Energias renováveis
Que aquecem e transformam?
Qual a intenção ?...
O fogo para clarear o abismo escuro?
Ou o fogo que destrói a tudo ?
Vamos rumo ao infinito
A ciência do bem e do mal
Porque não tocar no fruto da árvore
Que está no meio do jardim?...
O conforto e o conflito...a guerra interna...
A luz dos homens nos trouxeram
Um solo tão cansado, um homem tão duro
Um ser tão pequeno, distante...
Um Deus tão grande bem perto
Como nascer esta ideia entre pedras e espinhos?...
A semente: a cem, a sessenta, a trinta por um?...
Os homens rumo ao infinito
Deus aqui, como também lá estará
Os homens e seus telescópios, buscam os mistérios
O Deus criador não precisa de uma nanotecnologia
Ele nos no mínimo do mínimo
Os homens e luxos, os mesmos e lixos
O trigo e o joio...
As naves corruptíveis não estarão lá
Para ver o novo céu e a nova terra
Lá só entrarão os viajantes
Que observaram os lírios do campo
E como eles se vestiram para a viagem.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Palavras


Pintei mamãe quando criança
Na tela de minha alma
Não vendo e não troco
Foi ela quem me deu palavras
Nas linhas dos meus cadernos
O trenzinho de palavras
Descarrilava muitas vezes
Ao formar outras palavras
Meu mestre deu-me a chave
Fiz-me porta também
E os mistérios que agora conto
São palavras,quer ver bem?
Sei dos homens,seus pensares...
Seus erros e seus acertos
Sou um homem,não tão feito...
Nas mãos de um perfeito
Ele é o dono da poesia
Eu fico apaixonado
Cheira terra,céu e mar
Palavras que tu me ensinas
Perdão mestre esta minha pobre rima
As mães ensinam cantigas...
Tu nos inspira a contar
Só não sabemos o exato
O processo do ensinar...
Uma voz falou-me profundo
A PALAVRA veio ao mundo
E veio só para nos ensinar...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Solitário X Solidário


O que vale como virtude
Solitário ou solidário
O solitário caminha sozinho
Não reage as ações conjuntas
Solitário vive a atmosfera de
construir um templo de si mesmo
Toca a canção doentia do seu silêncio
Não ouve, não atende aos outros
O Solidário constrói junto
Crê na força da união
Sofre junto
Sabe dividir
Não é dono da verdade
Sabe incluir
Com as mãos sempre abertas
Para colher os que sofrem
Vive um mundo sem cadeado
Aberto a todos
Ao ensinar a solitários
A serem solidários.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sorria



Sorria, o senso de humor faz bem à vida
Sorria e a digestão será melhor
Sorria, o espelho agradece
Mesmo na reverência de um culto
Sorrir não atrapalha a oração
Sorria, isto faz bem aos músculos da face
Sorria de si mesmo
Dê um sorriso para as "verdades dos políticos"
Quando alguém contar uma piada sem graça
Sorria, sorria...
Se o mundo te ofende e o faz chorar
Tente um sorriso nem que seja amarelo
Logo, logo haverá um arco-íris de gargalhar...
Provoque e aceite sorrisos
Jamais torne-se um debochado
Quer um conselho?
Sorria! Deus está filmando.


sábado, 29 de agosto de 2009


Acorde!


Acorde homem!
O sol o convida
Para ver o florir...
É hora da ciranda da vida:
Animais, vegetais e minerais
O lindo matiz respira e aspira
Um cheiro bom!
Acorde homem; só tu que hibernas!
O que sonhas?
Com as MATAS, aquela que tu matas
Com a floresta, a pouca que resta
Acorde homem, saia de tua toca!
Troque um simples olhar com as flores
Namore com as aves....
Sobrevoe bosques e lagos nas asas dos pássaros
Acorde, banhe-te com o crepúsculo!
Cante ao Criador
Acorde homem para ver o mar e seus peixes!
Antes que as nuvens radioativas toque a canção da morte
Venha viver a vida
Venha assistir a primavera,
E aprender com as borboletas o processo da liberdade
Homem não durma a vida inteira
Venha lambusar-te de mel
E aprender com as abelhas
O belo da primavera
E muito mais, saber que Deus nunca dorme

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Na janela

Moça, caminhe devagar sob minha janela
Eu sonho uma canção, ela é pra você
Da melodia sai uma rosa
Ela é pra você
Pode cheirá-la, pode guardá-la
Ela é pra você
Uma rosa dura muito pouco
Moça, caminhe devagar sob minha janela
Sou maestro de mim mesmo
Neste gesto de te ver
Na canção há um perfume que não sabe mentir
Não fique assustada; sorria
Moça, hoje eu quero ser gente
Seguir em frente, atrás do seu amor...
Esta rosa não pode ficar jogada ao chão
Moça, caminhe bem devagar sob minha janela
Esta é a paisagem mais bela!
A janela fez-se moldura
Minha canção com ternura
Este lindo canto pintou

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Nascimento de um Natal


As dores já são notadas
A raça humana grávida em sua lenda
Geme a ilusão e, aos poucos, desponta o "Natal"
A cidade não transformada, simplesmente pintada
Luzes, canções que vão embalando o "Natal" dos homens
Espantando o NATAL de DEUS
Os dementes mentem...mentem...
O aclamado, o proclamado Papai Noel
O pai das pobres criaturinhas
Tem boca mas não fala
Tem olhos mas não vê
O astro maior no circo dos homens pagãos
Em suas mãos é entregue a chave do consumo
O velhinho com cores de fogo
Com um saco cheio de pó e nó
Festas, bebidas, presentes e mesas...
As reflexões: comer e beber...
O carnal natal
Nascem tudo e todos
Só não o Menino Deus
A cidade está superlotada
Não há vaga para ti Jesus!...
Óh corações, óh criaturas de todos os confins
Sejam a Belém
Jesus Cristo precisa nascer
Para ser verdadeiro O NATAL.

O capitão



N





Naveguei em muitos barcos

Sem um destino certo

No certo eu não navegava

Flutuava agarrando-me a qualquer elemento

Mas um dia embarquei no barco Eternidade

Como um clandestino embarquei não lançado fora embarquei

Rumo ao Norte verdadeiro

Um dos tripulantes chamado Mateus

Contou-me sua maior aventura

Um outro cujo nome era Marcos

Contou-me as historia que ele ouviu do Capitão...

Um tripulante chamado Lucas

Falou-me sobre os feitos e o saber do Capitão

Bem ao lado, um outro chamado João

Falou-me: Ele acalmou o mar e fez cessar os ventos

O Capitão sabia tudo sobre a terra

Tudo sobre os homens

Tudo sobre a morte

Sobretudo sabia o que era a vida

No seu barco Eternidade havia lugar para todos

Pobres, ricos e todos marginalizados

As crianças ele as queria bem próximo

Sabia dos medos, das dúvidas

Sabia compreender

Sabia Amar

No barco a multidão ...!

Um paralítico depois do encontro com o Capitão

Pude vê-lo saltando

Um cego depois do encontro pode ver a beleza do mar

Quem é o Capitão?

Foi aí que eu pude ouvir sua voz

Chamou-me pelo meu nome! Como?

Ele dizia: o que queres ser?

O que queres ter?

Eu nesse instante era menor que as crianças

Como criança perguntei

Como é o seu nome?

-Meu nome é Jesus

Para onde iremos todos?

Este barco chama-se Eternidade

Eu perguntei: posso continuar a viagem

Sim, todos poderão, é só aceitarem a viagem

Mas eu não estou preparado

Ele dizia: vem como estás

Eu não sou digno desta viagem

Ele dizia: vem como estás

Hoje o barco Eternidade passará em seu porto

E o Capitão dirá:

- VEM COMO ESTÁS

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Canção do caboclo


Canção do Caboclo

Nas águas correntes
Vidas novas
Terra úmida, sol quente
Viajando livremente
Encontrei nas águas
Caboclos em casas fincadas em água
Comiam farinha e peixes
E mais nada
Imensidão de aves bonitas
Araras,tucanos,macacos pulando...
O homem remando
Mas preso ficando
Nas correntes das águas
Suas heranças deixadas
Caminhos de igarapés
Sem vizinhos
Sem cercas
Os pés molhados
Uma vida amarga
Um mar doce e mais nada

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Minha Mãe





Não abraçou e nem compreendia as ideologias do mundo,
só a Ideologia das mães: lavar, passar, cozer e ver os seus filhos felizes.
Logo cedinho, seu aroma invadia-me uma agilidade a toda prova;
Não esqueço sua voz que diazia: o café está na mesa.
Não sabia de estética mas nunca queria me ver despentiado.
Seu universo era o lar; '' Escove os dentes, escove os sapatos";
Sempre o infalível afeto matutino.
"Seja um homem meu filho, estude".... Oh! que saudade de suas mãos
acariciando meu rosto e de seus beijos.
Minhas roupas simples mas bem passadas; posso ver em minhas
memórias ,as mesmas mãos irritadas por causa do sabão.
Quando ordenava que eu fosse a quitanda, fazia uma lista.
Sua ortografia não correta, comunicava por demais.
Minha doce mãe, sem nenhuma formação escolar mas sabia a
geografia das mães: O solo correto mostrou-me, sim foi ela quem
ensinou-me a plantar uma árvore pela primeira vez.
Ecologia? Ela nunca ouviu falar tal palavra mas o que os panfletos e os
megafones falam hoje em qualquer praça, minha mãe já praticava.
E de medicina? Não errava nunca quando eu brincava na chuva,
"Você vai ficar doente". O Chá e o xarope caseiro oh! doce lembrança.
Em economia, era PHD, sabia por demais administrar o pouco dinheiro
da casa. A culinária onde pão, o leite, etc... fartos a todos.
Aprendeu a fazer pipas, só para me ver feliz, Ensinou-me a soltá-las,
longe da rede elétrica.
Fez-me decorar a tabuada e não fiquei com trauma .
Minha querida mãezinha, a incansável criatura.
Sem cultura alguma, ensinou-me as primeiras palavras e as primeiras letras.
Foi meu general, quando brincava-mos de soldado, ensinou-me caminhar onde
não havia bichos papões.
Falou-me de Igreja e religião, só um pouquinho mais tarde, aprendemos
a razão: não dorme e jamais se levanta sem fazer esta oração:
Jesus, por mim e pelo meu filho agradeço a salvação.

Poema de um Adolescente




Eu menino de lapis e livros nas mãos

O coração a certeza,

Não sou mais menino não...

Nos livros que eu lia

Tirava poesias:versos de amor a Maria

Maria era tudo,era tudo pra mim

Maria era mais que os livros que eu lia

Como os meus versos Maria sorria

Não acrediava no amor que existia

Mas com o tempo

A vida passou

A ponta do lápis quebrou

Os meus livros o fogo queimou

Maria um amor que se apagou.

Senhora Imaginação


Bela moça!... caminhando sobre os tempos
Fez-me conhecer os animais
E os homens? pergunto...
Dizia a Bela e sabedora moça
Tente desenhá-los
Tentei e venho tentando ao longo dos anos
Nas caricaturas por mim idealizadas
Esbocei, homens por fora de ouro ; por dentro de lata
Crianças espectadoras e participantes das guerras
Triste esboço...triste fim...
Dizia a bela imaginação: E as paisagens?
As montanhas, rios e mares sofrem as dores da morte
Progresso ,oh! progresso; a desordem sem fim
Dizia a bela imaginação: Fale-me sobre algo muito sublime
Pensei no Cristo filho do homem , A virtude Maior
Neste mundo real e virtual são poucos os que o conhecem
Abraçando minha Imaginaçao,tornamos um casal
Núpcias e separações
Eu e a senhora imaginação
Falamos sobre o Filho, serão sete?
Não te digo que até sete, mais setenta vezes sete
Ficamos na ansiedade do amor, à procura da Virtude Maior, Deus.

Natureza


Oh! que saudade,da perfeita comunhão
A linguagem dos rios
A fala dos prados verdes
sede das águas cristalinas
O zunir das cigarras
cantando o verão
No balé das andorinhas
-Meu Deus onde estão as relvas?
-As aves e os peixes?
-Foram destroçados
Com o clarão dos átomos
No campo só um cogumelo atômico
Todos emudeceram ...
Na velocidade dos homens
Hoje vivo a minha nova Arcádia
Com muita melancolia
Nos olhos dos rios
As lágrimas dos bionãodegradáveis
No olfato do campo os pesticidas
Exalam a morte e a dor
Oh! minha nova Arcádia
Quem entende de mel
Não são mais as abelhas
E o leite...sua formula é outra
A nova floresta caminha para o deserto
Clamam os sensíveis
Racionais e irracionais
Por um ar melhor
Oh! engenharia genética
Onde nas provetas
Se cruzam os gêns do egoísmo com o ódio
Gostaria de ouvir e ver a natureza
Do antigo no moderno
Tudo pelos suaves inventos
Tudo pelo libertador do oxigênio:
DEUS a árvore de todos os tempos

domingo, 23 de agosto de 2009


Pensamento:

No painel da existência há dois botões, o primeiro o da Vida, o segundo o da Morte.
Aceite o conselho de Deus: aperte o primeiro botão.

Nota de Desaparecimento


Desapareceu hoje do coração da cidade, a Poesia
Trajando roupas de romantismo,
Calçando sapatos de denúncias,
Com luvas de versos de amor, rimados e livres
Seu pai, o Poeta Ninguém, anda desesperado
Já procurei-a em todos os lugares
Por favor, esta terna e doce criatura talvez tenha sido sequestrada
Por favor, Senhores mal-feitores!
Não maltratem minha querida Poesia
Eu sei que ela andou falando o que não devia,
Mas não foi por mal
O Poeta paga qualquer preço para revê-la
Não a transformem em uma fria notícia policial
Não! Não façam isso!
Digam, qual a importância em dinheiro para termos ela de volta
Se estiver confinada aos insensíveis, não sei o que será da coitada
Talvez agora ela não saiba dizer seu nome, seu endereço
Mas eu adianto: Seu endereço é Rua do Coração, esquina da Mente Sã
Seu nome completo é: Poesia de Sublimes Amores.
Se foi raptada pelos senhores ateus... Oh, meu Deus!
Não a deixe que se transforme em uma à toa
Nas mãos dos irreverentes, simplesmente dirão:
Quem foi ao vento perdeu o assento
Por favor, Senhores! Meu coração não suporta sua ausência
Choram de dor a Fauna, a Flora e os apaixonados
Sei, que como meu Pai, tenho que ter Fé e Esperança
Quem sabe amanhã, bem cedinho, ela estará de volta
Junto com as crianças da geração cibernética
Na voz de um robô
Versando aos homens
Um poema irônico
Fruto do seu desamor

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Praça da Sé


Na Praça da Sé senhoras oram
Os homens pregam
E a praça sem paz
Os minutos são caros
Senhoras de paz
Fazem pedidos

Os homens sem risos
Pregam sem paz
Senhoras choram
Homens calam
Na Praça da Sé
Na praça sem paz
Na Praça da Sé
Senhoras pedem mais gente
Os homens pregam pedindo mas fé
As estrelas choram
Todos de pé
Nasce outro dia
Pedidos de fé
O sol está triste
O jornal está triste
E a fé ainda resiste...
Na praça sem paz
Na luta constante...
Todos de pé
A guerra é a mesma
Na praça da Sé

Riqueza


Encontrarás na Terra, ouro
O ouro e seus males...
A prata e suas astúcias
As pedras preciosas também encontrarás
Elas irão ferir em gestos da cor do rubi
Tudo isso transforma o coração do homem em diamante
Extraída de muitos para poucos
Riqueza através do dinheiro
Riqueza que não compra Riqueza
Nas lojas não vendem
Nas reuniões da Sociedade tão pouco
Nas Bolsas de Valores...?
Estas são as mais mendigas diante da Real Riqueza
Nas Faculdades...?
Todas juntas são ignorantes demais no conhecimento da Riqueza do Alto
A Riqueza não está na beleza fisionômica
A Riqueza Real; a Riqueza do Alto não sofre fenômenos físicos e nem químicos
Não pode ser roubada
Não sofre danos
Brilha tão intensamente
Que em tudo que pensarmos será pouco
Riqueza é TER e SER de CRISTO
“Brilho dos brilhos”
“RIQUEZA SEM FIM”.

Milagre de Novo


As carícias no ventre
Pai e mãe contemplam
O milagre! E sonham...
É ele ou ela?
Há mudança no ambiente
As reflexões repetidas
O milagre menino!
O milagre menina!
O milagre de Deus!
É hora da dor mais saudável
Vejam! Minha Camila chegou!
O choro emocionante de uma vida
Em busca de casa e carinho...
Parem! Minutos somente
Eis aí a semente dos segredos da terra
Seus olhos e risos, codificam palavras:
Paz, passos, presença
Por Deus, para todos
Façam! Praças, passeios, parques,
bombons, bolas e bonecos
Tragam! Colégios, cadernos e conselhos
Vão, em Deus, por Deus nascer de novo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O filho que eu não tive


O filho que eu não tive  
Nasceu em meu sonho
Foi demais para mim
Fui feliz ao sonhar
Sendo criança sabia 
Conhecia a relação em bem e o mal
Suas palavras eram ternas poesias
O filho que eu não tive
Amando como pai
Era por demais amigo
De sua boca nunca ouvi a mentira
Nem as milícias só a delícias
Para com o filho que eu não tive
Fui relapso por demais
Diante de seus olhos
Eu pratiquei a mentira
Pratiquei o culto ao dinheiro
Pratiquei a hipocrisia
Com o filho que eu não tive
Caminhei cidades, campos e florestas
Com ele  aprendi como obter harmonia
Entre homens, natureza e animais
Eu como pai aprendi a ser filho
Deixou-me uma lição
O caminho, A verdade e A vida



quarta-feira, 29 de julho de 2009

Trajeto de um ex-menino


Na manhã surge o menino
Chorando a vida
Belo como um príncipe dos contos
Na cabeça a pureza e a ingenuidade das vítimas
Pronto para os acontecimentos,
Com os pés ao vento, corre em busca de pão
Mas nem só de pão vive o menino
Com os braços, que só ossos
Sem parentes
Não esqueci dos pais (não teve)
Sem retrato, sem registro
Sua madrasta era a miséria
Seu padrasto fora vítima de uma aposentadoria mal-recolhida
Adotado pela contravenção
Comia na casa da corrupção
Era tratado diferente,
pelos piedosos e por muitos religiosos
Estes lhe davam, roupas e comida; menos palavras de amor
Não brincou de bola e sim de bala (não é doce)
Não foi à escola; desaprendeu com a vida
Era doença contida
Levado ao médico, a consulta o insulta
Só bebendo água
Mas essa, está contaminada
Uma infecção, muitas injeções
A agulha não é descartável
O hospital era público
E ele, era privilegiado marginalizado
Tantos atalhos, andou, andou...
E de cansaço parou na praça da Paz
Um corre-corre, gritos e barulhos!
Pega! Pega, ladrão!
Logo ele estava passeando de camburão
Mas por excesso de contingente; virou indigente
No Instituto Médico Legal seu corpo foi pesquisado...
A causa-mortis foi difícil de entender (letra de médico)...
Ite...ite...ite?...
Humanite aguda!... foi isso

Será que em algum momento , ele ouviu de Cristo?