sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Não vi


Não vi com os olhos de se ver
Não ouvi com os ouvidos de se ouvir
Não reparei a minha volta
Não me fiz como o bom samaritano
E sim o sacerdote e seu engano
Eu me vi no levita que se agita: passei de largo
Eu não vi o sofrido ao lado
Não atendi o seu chamado
Na solidão da multidão
O próximo morre ao chão
Não vi com os olhos de se ver
Onde estava meu coração?
Nos tesouros que cá estão
Não ouvi com os ouvidos de se ouvir
Os Ais de Jesus, eu não entendi
Juntei-me aos fariseus e seus fermentos
E ao faminto eu minto
Por que hoje é sábado
De uma lei tão fria
Não vi quem passa fome
Do pão da vida
Desculpa-me, vou ver meu campo
Desculpa-me, vou ver meus bois
Casei-me, estou em festa
Não ouvir com os ouvidos de se ouvir
É recusar o banquete de Cristo
Já os pobres, os aleijados e os cegos
Viram com os olhos de se ver
Provaram de sua ceia
Perdão ...perdão ...

Que eu veja com os olhos de se ver
E ouça Jesus dizer o que é religião.

domingo, 13 de setembro de 2009


Bem Perto
Os desejos dos homens:
Saber o que há por detrás das galáxias
Vamos, nossos olhos precisam desvendar os mistérios
Haverá um novo Éden?
Frutos de um doce bom?
Perfumes de flores inigualáveis
Viagens rumo ao abissal
Para ver e tocar em outros corais
Bem lá fundo no mar do nosso mundo
Haverá outros tesouros?
Energias renováveis
Que aquecem e transformam?
Qual a intenção ?...
O fogo para clarear o abismo escuro?
Ou o fogo que destrói a tudo ?
Vamos rumo ao infinito
A ciência do bem e do mal
Porque não tocar no fruto da árvore
Que está no meio do jardim?...
O conforto e o conflito...a guerra interna...
A luz dos homens nos trouxeram
Um solo tão cansado, um homem tão duro
Um ser tão pequeno, distante...
Um Deus tão grande bem perto
Como nascer esta ideia entre pedras e espinhos?...
A semente: a cem, a sessenta, a trinta por um?...
Os homens rumo ao infinito
Deus aqui, como também lá estará
Os homens e seus telescópios, buscam os mistérios
O Deus criador não precisa de uma nanotecnologia
Ele nos no mínimo do mínimo
Os homens e luxos, os mesmos e lixos
O trigo e o joio...
As naves corruptíveis não estarão lá
Para ver o novo céu e a nova terra
Lá só entrarão os viajantes
Que observaram os lírios do campo
E como eles se vestiram para a viagem.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Palavras


Pintei mamãe quando criança
Na tela de minha alma
Não vendo e não troco
Foi ela quem me deu palavras
Nas linhas dos meus cadernos
O trenzinho de palavras
Descarrilava muitas vezes
Ao formar outras palavras
Meu mestre deu-me a chave
Fiz-me porta também
E os mistérios que agora conto
São palavras,quer ver bem?
Sei dos homens,seus pensares...
Seus erros e seus acertos
Sou um homem,não tão feito...
Nas mãos de um perfeito
Ele é o dono da poesia
Eu fico apaixonado
Cheira terra,céu e mar
Palavras que tu me ensinas
Perdão mestre esta minha pobre rima
As mães ensinam cantigas...
Tu nos inspira a contar
Só não sabemos o exato
O processo do ensinar...
Uma voz falou-me profundo
A PALAVRA veio ao mundo
E veio só para nos ensinar...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Solitário X Solidário


O que vale como virtude
Solitário ou solidário
O solitário caminha sozinho
Não reage as ações conjuntas
Solitário vive a atmosfera de
construir um templo de si mesmo
Toca a canção doentia do seu silêncio
Não ouve, não atende aos outros
O Solidário constrói junto
Crê na força da união
Sofre junto
Sabe dividir
Não é dono da verdade
Sabe incluir
Com as mãos sempre abertas
Para colher os que sofrem
Vive um mundo sem cadeado
Aberto a todos
Ao ensinar a solitários
A serem solidários.