quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sossego


Há palavras
Intrigam
No silenciar do olhar
Um entra e sai de pensar
Um navegar
Sem oceano
O que é afinal
O abstrato de um sonho
São barcos indo ao mar
Saudades, lágrimas, perdas

Intrigam
Adeus

Em Deus
Não engano
Para sempre
Há um ficar no peito
Na mente
Nos olhos
Bem na superfície
Você e seu cheiro
Você e seu jeito
Não se vai nunca
São ondas
São ostras
No abissal
Do meu peito
Não acalma
Se vai em ondas
Em garrafas
Com mensagens
Sempre em busca
Deste alguém.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fruto sem fim


Vou buscar meus gravetos
Palavras
Para aquecer minh'alma
Nestes dias de inverno
Me aquecer
Em volta desde fogo
Amigos, irmãos, doentes
E quando só houver cinzas
Um fénix ressurgirá
Irá buscar sementes
Plantarei em meus caminhos
Árvores
Sonho ver
Em suas sombras
Homens perdidos
Os sem solução
Dando ouvidos
A única razão
A palavra
O fogo não queima
O tempo não apaga
Em qualquer estação
Fruto sem fim
A todos quanto queiram provar

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Labirinto


Gerações
Criando deuses
Conhecidos
Desde o Éden
Desde à Grécia
deuses conhecidos
Nos conduzindo
Em labirinto
Dédalo
Inveja
Dores
Orgulho
Desamor
Guerras
ídolos sem ouvidos
mitos de um vácuo
Lendas
Medonhas
Dantescas
Nada divino
Horrores
Pagãos
Prisões
Ruínas
Houve um, o de Saulo
Religião
Um Maior de Paulo
O Deus desconhecido
De um nascer de novo
No coração
O único
Se fez carne
Jesus
O Deus
Amor

sábado, 19 de junho de 2010

Um jardim


Tens nos mostrado um jardim
Gardênias, hortências
Rosas vermelhas
Os lírios e perfumes
Caminhar entre flores
Nos faz um bem
Tens nos mostrado
Recanto de inspiração
Se o tempo parasse
Um admirar sem fim
E um brotar de poesias
Sois jardineiro de pétalas
Bonitas que nos trazem
Dizeres de um amor
Datas e dias
Saudades
Sentimentos
Carinhos
Eu vou aprender
Cultivar flores
Eu e meu rude vaso
Com uma pequena roseira
Estou cultivando
Para dar de presente
Admiração
Aos poetas

domingo, 13 de junho de 2010

Marcas

Marcado com giz
O tempo apaga
Na areia a onda
Apaga
No coração
Também se apaga
Se não intenso
Se não se doar
Se não um olhar
Um carinho
Se não um perceber
Se não um renunciar
Se não um perdoar
Se apaga, se finda
Onde está seu tesouro
Lá está seu coração
Há um mover ...
Marcas além de um giz
Marcas além da areia
Dentro do coração
Conosco
A expressão...
A ação...
Marcas que marcam...
O amor ... O Amar...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sua visita


Fico esperando
Como antigamente
As mulheres esperavam
Seus noivos,
Como as lamparinas acesas
Não sou como os insensatos
Há óleo para a noite inteira
Você não veio
Fiquei só
Virá outro dia
Estarei a esperar
Não sou digno
Que entres em minha casa
Diga apenas uma palavra....
Minha espera se ameniza
Minha casa é sua
Apenas uma palavra...
Serei como Maria
Vou escolher
O que não me será tirado
Ouvir-lhe os ensinamentos
Estarei aqui
Com minha rude luz

terça-feira, 8 de junho de 2010

Em um canto


Algo tem ficado em um canto
Em um porão...
Em um baú...
Algo tem ficado em um canto
Em álbum de retratos
Em poses , risos
Algo tem ficado em um canto
A velha agenda...
Dias, datas...
Algo tem ficado
Em nossos gostos
Quando ouço uma canção
Algo tem ficado
Seu olhar tão distante...
Fincado no meu
Dá para prever
Saudades...
Invasão em um canto
Do meu coração
Canção de amor
São lembranças boas?
Ressentimentos, desventuras?
Ele ficou comigo
Bem neste canto...
A sois ele e eu
Ele continua a revolver
O que dói e machuca
Canto triste, sombrio
Ele e sua leveza
Clareia!... conforta
Me fez entender
Ele observa e atua
Não só em um canto...
O Senhor de todo meu ser
Jesus.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Na feira


Nas bancas os vendedores
Vendem dores
Mentiras, leve duas pague uma
Vaidade tem para todos
Últimos modelos
Os vendedores gritam ...!
O orgulho está fresquinho!
Na feira dos homens
Cabeças de Vento
Vende-se indiferença
Omissão, sacos e mais sacos
De ilusão
Corrupção de todos os preços
Um vai e vem insano
Tem os quem vendem suas almas
Por uma moeda qualquer
Na feira dos homens
Cabeças de vento
Façam filas
Chegou a mais nova hipocrisia
Bem original
Temos similar
Diversos tipos
Vai-se os homens
Cabeça de lobo
Pele de ovelha
Como se vende...!
Como se morre...!
Na feira dos homens sem Deus
A VERDADE está em falta.