quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O chamado


Tenho pouca visão
Em enxergar as lágrimas
Angústias não verbalizadas
Tenho pouca visão em observar
Há uma dor no outro
Minha visão rasteira
Superficial não vê
O profundo de uma dor
Tenho um sonho que é só meu
Não me aquieto
Corro com meu pensamento
Gessado em só me observar
A ciência do conhecimento
Os pensamentos alçam voos
A arte de criar
O excessivo enfadar
As asas dos meus voos
Na poluição dos aplausos
Eu não me enxergo
Em um silenciar
Em meu quarto
Eu não me enxergo
Em cuidar dos outros
Observar as lágrimas
E em silêncio
Dizer eu vou te ouvir
Iremos chorar
Iremos sorrir
Eu e você
Sou todo seu
Hoje iremos olhar
Além das estrelas
Falaremos com Deus
Precisamos nos enxergar

domingo, 15 de agosto de 2010

Pelas ruas


Sou feliz em ver
Em orvalho pérolas
Em uvas brilhantes
Homens diamantes
Sem um lapidar
Será meu olhar ?
Serenidade e poesia
Respirar bem profundo
O nascer de uma manhã
Ver o viajar das borboletas
Não interromper os sonhos
As crianças nos esperam
Nos balanços das praças
Em uma pipa no ar
E nos barquinhos de papel
Viajar outros mares
Não ter vergonha
E rir com os erros
E acertar com os conselhos
Tirar de dentro de si
Seus sonhos e sorrir
A sombra das árvores
Ver o cantar dos pássaros
Plante sua semente
Ela quer nascer
Sonhe coisas belas
De amor, busque amar
Ele não está fora de ordem
Pelas ruas cante
Ouça , observe
As flores das praças
Aos homens sem graça
Diga vamos viver
Alguém está a sua espera
O autor da vida
Falou assim
Um olhar de poesia
A minha paz vos dou

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vida seca


Meu Deus me socorre
Com é triste meu vivê
Severino foi embora
Me deixou apadecê
Com uma ruma de menino
Eu não sei o que fazê
O gado está morrendo
Não tem o que cumê
Eu que sou carpideira
Hoje choro mais um fio
Isto corta o coração
É triste o meu destino
Mande água Senhô
É o que mais quero
Um açude bem cheinho
Água de muito inverno
Severino quer vortá
Estou sonhado com este dia
Continuo no mermo lugar
Quero ter uma alegria
Mande água Senhô
Como é triste meu destino
Mande água Senhô
Um açude bem cheinho


( Os erros são propositais )

domingo, 8 de agosto de 2010

Superação


Resiliência total
O filho de Deus
Quis ser chamado assim
O Filho do Homem
Veio no outono de muitos
Entre as folhas secas
Nos trazer a primavera
Em criar oportunidades
Para amar
Compaixão, tolerância
Nos ensinou ir além
Para aturar
Acidez das palavras
Você não me quer?
Um olhar sempre a dizer
Eu o quero
Em um viver feliz
Ele não suga a ninguém
Um olhar em socorro
Aos sem ritmos
Aos tristes
Conhece os disfarces
Dos artistas
Dos doutores
Um olhar suave
os rascunhos de vidas
Quer em nós pintar
Um quadro melhor
Com nossas fragilidades
O prazer de nos fazer felizes
Nos responder com pergunta
O que dizem quem sou?
Se bebermos de sua água
Saberemos o que é ir além
Dar a outra face
Ser resiliente.