sábado, 30 de outubro de 2010

Homem Massa

Uma onda gigante
Chegou a nossas praias
Em nosso admirável mundo novo
Vida de gado
Povo marcado
Povo feliz
Eu ensaio
E saio
Voz que clama no deserto
Veredas tortas
A forma do mundo
Moldando a muitos
Homem massa
Nada de pensar
Tem quem pense pela gente
Liberdade de um consumo
Um amor reprimido
Ilusão em ter
Nada de ser
Refletir por que ?
Homem massa
Quem não for como todo mundo
Quem não pensar como todo mundo
Perde a cabeça
Vulgaridade do homem
É natural ser banal
O nobre é ser vulgar
Homogêneo e resignado
Somos arrastados
Nada a questionar
Sacerdotes das midias
Tatuada está a alma
O corpo, poluição visual
Uma voz que não cala
Não é de um avatar ficção
A voz do Filho do Homem
Um basta! um chega!
A terra de meu pai
Não é casa, e nem mercado
Para estes negócios.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Esconder

Há algo em comum
Entre o Rio e Cabul
A burca não esconde o rosto
As cidades estão nuas
Os tecidos não escondem
As balas que traçam o destino
Nada doce, nada céu
Famílias órfas, pobres meninos
Há algo comum entre o Rio e Cabul
Talibã, milícia, trafico e policia
Não há burca que esconda
O corpo e a sua vergonha
Quem pensar diferente
É inimigo da gente
Olho por olho
Dente por dente
Sofrem as criaturas
Becos, escombros e ruas
O sol comum a todos
Mas há um escuro
Gritos e lágrimas
Cidades em guerras
Manchetes de sofrer
Homens e bombas
Drogas e mortos
A mentira, a verdade de muitos
A Verdade, a vitima de todos
Pelo Rio, por Cabul
Deus traga a sua luz.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os olhos


Como fazer alguém ver
Cisco no olhar?
Se eu tenho em meu
Um grande argueiro
Como fazer com meu julgar?
Não aceito engolir um mosquito
Engulo um camelo
O princípio, das dores
A temperatura tão fria
No viver e no amar
Finais dos tempos
Uma profecia
O ladrão não avisa
O dia do seu roubar
Os sinais fatais
São por demais
Desamor, furações
Perseguições
Falsos caminhos
Perdição
Incoerência
O tombamento
Dos templos
Arquitetônica atração
Os caídos, homens
Abandono, solidão
Sal sem sabor
Qual o valor?
Cegos carregando cegos
Perdição
Se seus olhos forem maus
Onde está a sua luz ?
Intrigante pergunta de Jesus

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Exercitar


Calorias existenciais
Queimemos
Gorduras localizadas
Dentro em nosso peito
Um viver banal
Queimemos
Colesterol ruim
Excesso de compromissos
Em minhas veias
Excesso de consumo
Competições
Dentro de mim
Excesso de julgar
O coração
Um fastio
Em perdoar
Uma vida
Sedentária
Exercitar
No silêncio
É preciso sim
Façamos assim
Aspire Jesus
Respire Jesus
Abra bem os pulmões
No secreto
Em seu quarto
Nas ruas
Nas praças
Nas reentrâncias
Do templo
Corpo e alma
Aspiremos Jesus
Respiremos Jesus
Seus olhos nos espreitam
E nos diz
Eu sou a Vida