sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O novo


Nos fogos o comemorar
Nas taças as mesmices
Comemorar, as tolices
Celebrar os velhos hábitos
Nada muda... se nada muda
Se não nascer de novo
Nicodemos não irá saber
O que é o viver
Escola dos homens.
Não ensina viver
Tanta tecnologia
Tanta filosofia
Homem carne e silício
Lições de neuroses
Compulsão, híbrida ação
Homem e máquina
Só haverá um novo
O mudar por dentro
Não da água, não da carne
Nascer em espírito
Expirtar a soberba
Um renovar de mente
Buscar compreender
A vontade do Criador
Senhor do tempo
Do espaço
Na terra, no céu



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ausência


O que mais dói é a ausência
Ausência de palavra
Ausência de um olhar
Ausência de um afeto
Ausência de amor
Dói minhas células
A indiferença dói
Poros, artérias e nervos
Flores sem palavras
Palavra sem pessoas
Silêncio que dói
Noites, dias, madrugadas
Sem palavra, dói
Silêncio devastador
Praças sem crianças
Caixa de entrada sem e-mail
É um grito arranhando meu ser
Ausência indica um secreto mau
Com dor eu nasci
Com dor aprendi
Com dor compreendi
Antes que a palavra chegue
Em minha boca
Há alguém presente
Que sabe e sente
Que viveu as ausências
Rejeição, incompreensões
Gritos, palavras de morte
Reprovado por muitos
Que viva a morte...Barrabás
Morra a vida... Jesus
Os homens e suas escolhas...
Na presença de todos
Mataram o amor
Ausente em muitos
Presente, sempre
Autor da vida
E de dor ele entende
O que mais dói
E como dói
Amor ausente em muitos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus cacos


Com os pés de vidro
Cacos, veredas em dores
Amores, dissabores
Caminhos, trincas
Sofri e fiz sofrer
Quis juntar os cacos
Pedaços que não se unem
Meu espelho interno
Vejo imagem baça
Sou vaga-lume inconstante
Mariposa que briga com a luz
Cacos, pedaços
Coração, diamante cru
Esfacelado, gemendo
Sangrando, cortando
Consolado em enganos
Noites, insônias
Sonhar pesadelos
Manhãs sem sol
Socorro! socorre-me
Quem pode me ajudar?
Quero ser um pouco feliz
Quem pode me amar?
Quem pode meus cacos juntar?
Quero ver as manhãs de paz
Vaso quebrado.... só um novo
Não se cola diamante
Quer ser barro?
Sou oleiro
Faço de você um vaso
Um vaso novo!
Sou Deus, conserto tudo
Queres ser barro ?
Tens minhas mãos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Gente


Eu quero
Aprender ser gente
Eu gosto de gente
Não é fácil gostar de gente
Preciso aprender mais
Há gente como há gente...
Gente que me faz chorar
Há quê me ignora
Gente me faz pensar
Gente nas ruas
Esquinas
Gente com conforto
Gente em conflito
Gente que me olha nos olhos
Gente que me vê pelas costas
Gente que vê minh'alma
Eu gosto de gente
Que me agita
Que me acalma
Enxuga minhas lágrimas
Eu preciso de gente
Na escassez dos meus castelos
Na fartura do meu casebre
Gente que frequenta meus sonhos
Gente humilde
Gente mansidão
Gente que se doa
Gente que perdoa
Quero ser gente
Não só de palavras
Gente com coração
Que observa
Com gestos e ações
Quero ser gente lapidada
Por quem mais entende de Gente
Escultor Jesus.