quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Imprevisível


Se você embarcar comigo nesta jornada
Nunca saberá qual será a próxima etapa
Pode ser um viagem segura
Pode ser uma viagem caótica
Viagem com poeta é imprevisível
Quando estou em estado de poesia
Tenho memórias em extremos
Há momentos que são claros
Outros só me lembro da dor
Os detalhes se perdem
As lágrimas não são vistas
Eles escorrem dentro em mim
Tenho medo de ficar sozinho
Quer vir comigo nesta viagem?
Sempre há algo pairando no ar
Vamos ficar cinco minutos observando...
As ruas me chamam de omisso
Em meu silêncio prospera a vergonha
Eu não pude curar sua dor
Olhar de cidade que agoniza....
Implorando por um conforto
Fiquei assombrado...
Este lugar é tão familiar
Suas chagas, suas lágrimas
Em bancos frios de concreto
Nossa alegria será blasfêmia
Há dias que não somos capazes...
Voltemos amanhã... será que haverá?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Retalhos


Fiz um poema...
Retalhos de palavras
Pode parecer curto
Ora cobre a cabeça
Não os pés
Inquieta minh'alma...
A imagem dará sentido
Em dias de frios
Em dias vazios
Eu dou de presente
Ao frágil, ao doente
Sob ele as palavras
Darão sentido
A quem dorme
A quem assiste o dormir
E na manhã buscar
Retalhos de pessoas
Faze-los ouvirem
Remendo velho
Em vestido novo
Não veste bem
Fiz um poema
Para acordar os que dormem
Mas a Palavra veio primeiro
Em tecido inteiro
Cuide dos frágeis
Palavras de Jesus

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Alguns instantes


Passei em sua vida
Por alguns instantes
Nada fora como antes
O olhar não fora o mesmo
O riso não fora o mesmo
Não se repetem
Os mesmos passos na areia
Nada fora como antes
As pedras que jogamos
No mesmo lago
De águas calmas
Seus círculos...
Não foram os mesmos
O hoje não será como ontem
Por alguns instantes
Olhe para os meus olhos
Há uma lágrima de felicidade
Você passou em minha vida
Por alguns instantes
Sonhei brincar na chuva
Por uns instantes
A água nos molhou
Risos... a dança
Alguns instantes
A felicidade contigo
Alguns instantes
Seu olhos, seu corpo
Sua voz dizendo
Fique alguns instantes...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dias Velozes


Os dias são velozes
O tempo é contabilizado
Não há tempo para pausa
Não há tempo para escuta
Os dias são velozes
Os dias são vorazes
Há uma distância
São poucos os ouvidos
Era da informação
Muita transmissão
Pouca percepção
Pouca reflexão
Há uma ficcionalização
Do horror, do banal
Em dias velozes
Como sentir as flores
Aroma de remorso?...
Ou perfume de confissão?...
Dias velozes
Não são belos, não são feios
São grotescos
Eu clamo por lentidão
Lugar para se sentar
E perceber que não basta Twittar
Na lentidão damos as mãos
Sentimos o frio, o calor
E o pulsar dos corações
Tudo isto são pétalas
Que precisam de receptáculos
Em vidas mais lentas
Virão as flores
As saudosas abelhas
E dias mais doces...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Éco


Éco não é coisa de boneco
São palavras ditas em prédios vazios
Vozes infantis que sonham brincar
Que buscam entender os seus dizeres
Olhares refletem a felicidade
Nada caro, nada raro
Um jeito de ser apenas criança
Ser boneco é coisa e adulto
Ser fantoche repetindo
Um som de um submundo
Por uns minutos, fama
Ruídos em corações vazios
Tudo caro e raro
Homens que não sabem sorrir
O mundo e seus negócios
O mundo e seus sócios
Dinheiro e poder
Mundo sem tempo
Homens espantalhos
Nos jardins do riso
Afastam crianças
Sonhos de bolas de sabão
Viagem em pipas
Passeios em barcos de papel
Quem sabe ainda haverá
Um cyborg-homem
Em nossas praças
Rodando pião
Jogando bolinha de gude
Gritando palavras ao vento
Vamos ser criança

domingo, 9 de outubro de 2011

Volátil


Há uma luz volátil
Que retinas não atinam
Os olhos opacos de carne
Cegos por luzes, neons
Há vagalumes ora luz
Ora escuro, tombos
Calombos no corpo
Feridas na alma
Por alguns minutos fama
Se vende a vida
Por qualquer dinheiro
Por qualquer prazer
Luz, flash, notícias
Há mariposas que brigam
Mortas famintas por luzes
Luz volátil, fatal escura
Fama, forma a cama
Reduto dos mortais
De um sonho temporal
Luzes que queimam
Fogo que destrói a alma
Para quem tem a retina de carne
Há uma luz atemporal
Há uma luz eternal
Onde os pés não vacilam
Clarão do Caminho
Luz para o imundo
Clarão para estrada
Caminho do Céu
Há uma luz
Para os olhos da fé
Jesus, a luz que não agride
Para quem se deixa enxergar

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Náufrago


Como um náufrago em busca de uma ilha
Saí pela amanhã em busca das palavras
Palavras abrigo, alimento e amenidades
Há uma rapidez em não se bastar
Olhos e mãos, neuroses em ações
Busco encontra-las para acalmar minh'alma
Caleidoscópio formam versos, desenhos
Lágrimas de crianças e homens que choram
Saio pelas noites em busca de palavras
Náufrago que retorna para praia em caos
Os ventos dos inventos não trazem paz
Nada moderno,tudo tão antigo
Corações sem afagos
Mudos, surdos e cegos
Oceanos de enganos
Tempestades, furações
Perdi a capacidade de compreender
As questões que animam a vida
A poesia objeto de arqueologia
Em meu dia a dia, palavras frias
Notícias repetidas, mortes e corrupção
Como ser poeta em um mundo tirano ?
Uma obsessão pelo mal
Não sei se estou morto ou vivo
A verdade é a maior vítima
Sangrando em sua morte
Os homens preferem a mentira
Saio pelas ruas em busca
Da palavra paz que no mundo não a vejo
Ausente em mentes que mentem
Tenho atravessado oceano
Mar revolto, vagas e mais vagas
Na madruga uma voz se faz presente
Sossegai...respire meu sossego
Já agora palavra tesouro
Para quem busca um viver
A não solidão, o verdadeiro
Sentimento de Paz.
Palavras de Jesus...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os muros

O eu fez um muro
Não quero enxergar o outro
O desejo do eu o aliena
O eu não se nutri da falta do outro
O eu, senhor solitário de um pensar
Aniquila o se dar, o se doar
Tem ao seu redor
Jardim para quem as flores?
Ao outro, o jardineiro?

O eu o dono da casa
Não sente o ar
Não sente o cheiro da terra
Não consegue conceber
Abelhas e mel
O eu e a tentação...
Excluir o outro
Intolerância as diferenças
O eu e o outro... divisão
Estradas, povoados, plantações
O eu e o outro suas razões
Muros, cercas
O eu não percebe o outro
Porque no escuro o eu
Vem sem rumo
Sem prumo
Cambaleante
Beber da água do outro
Derrubando os muros
Se findando nos braços do outro

domingo, 7 de agosto de 2011

Incomparável





Nada fora como aqueles dias
Maravilhas, espantos
Não fora em Atenas
Roma, Paris
Não fora em New York
A eternidade fizera uma vírgula
Na pequena Belém
Todo cosmos a indicar
É de lá que virá
Algo sobre natural
Um coral celestial
Presente ao fato
Canções do alto
Reverência ao pequeno Deus
Os homens atemorizados!
Uma boa notícia
A melhor de todas
Nasceu o Salvador
Que é o Cristo o Senhor
Herodes, Cesares, fariseus hipócritas
Fora perseguido desde menino
Por cuidar das coisas de seu Pai
Seu olhar incomodou
Os tolos e seus negócios
A Virtude Maior confrontando
A luz contra as trevas
Que mata os desavisados
A Virtude Maior contra o pai da mentira
A mentira que mata, roupa e destrói
O incomparável falou de pão
Falou de água e salvação
O mar ouviu seu mandar
A multidão o seu sermão
Se não nascer de novo...
O que é carne é carne
O que nasce do Espírito é espírito
Ele libertou o homem do pó
Revestindo de incorruptibilidade
O sereno, humilde, o amigo
Vendido por trinta moedas
Traído com um beijo
Trocado por um malfeitor
Uma cruz foi seu trono
Incomparável, sangue do justo
Gota por gota
A garganta seca
Voz de amor
Perdoe pai, eles não sabem o que fazem
O sol se apagou...
Um brado ecoou
Tudo está consumado!
A vida estava morta!
O deboche, o escárnio e a mentira venceram!
Jerusalém, Jerusalém, túmulo vazio !
Cidades de todo universo
O eterno não morre!
O eterno está vivo!
O incomparável virá entre as nuvens
E todos os olhos o verá
De forma incomparável

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nossos dias


O asfalto queima os pés
Há meninos malabalistas
No sinal fechado, limões em mãos
O artista sem máscara
De uma vida amarga
São poucos os segundos
Por umas moedas
Já me vem um outro
Lavar o parabrisa
Quem tem carro precisa enxergar
Quem tem fome precisa comer
Os homens se apressam
O coração se fecha
Antes que o sinal
Não quero, não tenho
Outra dia...
A fome pode esperar...
Limões aos ares não caem ao chão
Nem se faz limonada
Vida azeda, mais que ácida
Muitas mães, muitos irmãos
O sinal em atenção
Os homens estão fechados
Gravitando em seu pensar
Bandidos!...Perigo!
Não foram os meninos dos sinais
Que comeram a merenda das escolas
Foi um bicho chamado homem
Ele devora as crianças
E está solto pelas ruas
Distribuindo cestas básicas

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Seu olhar


Onde está seu olhar?
Não atravessa as ruas
O sol que muitos precisam
Ele poderia ser
Apenas um olhar
Sem um olhar
Não há vida
As ruas e suas agonias
Um olhar liberta o riso
Um olhar liberta a alma
Derruba muros
Aproxima os rostos
Um olhar faz bem
Traz as manhãs
Com a exatidão
Do bom, do belo
Do feio, do péssimo
Um olhar nos faz pensar
Para quem olhar?
Um olhar torto
Um olhar morto
Um olhar vazio
Nada reto
Nada justo
Lágrimas...
Aonde anda seu olhar?
Se seus olhos forem mal
Todo seu corpo será mal

terça-feira, 28 de junho de 2011

Invisível


Sou insivível
Me visto de palavras de seda
Não me faço invisível
Sou um invisível vivo
Não um transparente morto
Ser invisível é ser perigoso
Quebro prisões
Conserto casas
Choças, mansões
Detenho exércitos
Calo canhões
Há olhos que não me veem
Ouvidos que não me ouvem
Muitos enformam
É de ouro
É de prata
É de pedra
Outros informam
Consumismo mortal
Modelo de caos
Multiplicação de iniquidade
Em muitos o amor se esfriou
Me fizeram invisível
Quem tiver as marcas dos homens
Me faz invisível
Muito irão morrer pela boca
Nem só de pão vive o homem
Como o vento que ninguém vê
Eu existo nos olhos de quem crer
A boca fala do que o coração está cheio

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Flash


Em situações de pouca luz
Um flash pode iluminar
A poesia tão real
Pode ser um sonho
Um Zum, um retrato
A cidade e seus maltratos
O catador de papel
Seu carrinho de Mão
Papéis, plásticos, papelões
Tudo isto pode se tornar
Casa, cama, feijão
Neste vai e vem nas ruas
O sonho de uma sobra melhor
O que vê entre os restos
Um bêbado ao chão
Meninos esticados à calçada
Em outra esquina, três mulheres
Franzinas, marcando o ponto
O que mais lhe chama atenção
Não são os olhos das mulheres
E nem tão pouco seus corpos
São as latinhas de cervejas e suas mãos
Ele aguarda o último gole
Estas latas serão pães
Pensou o catador um pensar ecológico
Em que usina transformar
Os meninos, as mulheres e os bêbados?
Nas usinas dos homens não os vejo...
Quem sabe haverá catadores de homens ?
Carregando estas criaturas
Para a usina de Deus.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inquietação


Inquieta emoção
Ansiedade, palpitação
Cada um inventa a si mesmo
Um dormir acordado
Um virar e revirar
O sonho não vêm
O mundo inteiro não pode completa-lo
Esta vida moderna
A felicidade nos cancela
O mundo quadrado
Um pensar malvado
De de homens desatentos
As aves aprenderam a lição
O alimento virá
Comer, voar e cantar
Mascarar a ansiedade
Tem um prazo de validade
Ela volta acompanhada
Braços dado com a angustia
Cheia de mal humor
Sob o impacto da pedra
Sob a fluidez da água
Não fuja
Não escape
Não me troque
Eis a grande verdade
Sem mim nada podeis fazer

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Adversos


Vivenciar o pior da vida
Sem se desesperar
Vivenciar as perdas
Sem se perder
No infortúnio saber lidar
O abandono
A traição
A exclusão
Risos e lágrimas
Vivenciar o insucesso
Celebridade esquecida
Pobre mortal de fato
Longe das luzes
Em dias cinzentos
Nada de sol
Nada de flores
A doença no corpo
A doença da alma
Vivenciar o imprevisível
Como conter este meu viver!?
No silêncio do meu quarto
O Mestre mostrou-me
Sua vida, sua dor
Quando tudo era adverso
Eu me fiz assim
E digo faça assim
Serenidade... na adversidade
Busque a minha paz

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Eu


Eu era muitos
Enquanto rolava o mundo
Um jovem querendo saber
O olhar e o rosto da bela menina
O coração acelerado
Olhava os cadernos...o que sonha?
Os olhos e seus mistérios
As moças me inquietavam
Um perfume de sonhar
Eu era muitos....
A espera de um sorriso
Meus sentimentos
Eu um vulcão confuso
Querendo viver um grande amor
No campo, na praia
As noticias eram de guerras
Eu era muitos
Como pais que perdem seus filhos
Nas guerras ....nas drogas...
Uma sucessão de sol e tempestade
Porque sofrem os inocentes?
Quer plante árvore, quer crie palavras
Porque esta guerra não tem fim?
Eu era muitos....
Um menino, um jovem....
Faço ainda hoje um pouco das idades
Eu sou muitos....
Mas como sonho ser um menino

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O lixo


Estou me lixando
A voz de quem iria limpar a cidade
Cuidar das vidas
Melhorar nossas estradas
Ativo dentro de um pensar
Não dou a mínima
As ruas sangrando nossos lixos
O abandono de gestos, ações
Falta tudo a muitos
Há tudo a poucos
Onde irá parar
Este ser que está se lixando?
Um chiclete na calçada
Um papel de bala
Cigarros sobre o chão
Estou me lixando
Em que coleta colocar este homem
Metal, plástico ou papel
Incinerado? e ele se deixa?
E das cinzas nascer de novo
Na alquimia de Deus
Água vira vinho
Morto passa a viver
Ficar se lixando...
Mentes baldias... não dá !

quarta-feira, 27 de abril de 2011

No meio do caminho


No caminho há um pedra
Drummond nem sonhava
Em Minas, São Paulo até Brasília
Há um Pedra no caminho
Pode ser escondida na palma mão
Homens, mulheres e meninos
Quem dá dois por uma pedra?
Quem tem uma nota de cinco?
Em um cachimbo a fumaça
Euforia de morte, alucinações
A pedra gravada na mente
Neurônios sangrando morte
Zumbis inquietos
Agora ao chão
Ratos, baratas
Juntos resto de gente
Nada que não seja a pedra
Parece tocá-los
São poucos minutos
Viagens ensaios de morte
A bolsa do crack a noite inteira
Comprando e trocando tudo
Salsichas vencidas achadas no lixo
Tudo por um a pedra
Crianças, vidas marcadas
Mulheres grávidas
Vivendo com os ratos
Nas marquises das ruas
Socorro! socorro!
Gente bem vestida
Tênis da moda
Moradores de rua
Não existe mais rico
Não existe mais pobre
Todos rente ao chão
Socorro!... nos socorram!
Os homens inventam
Pedra da morte
Deus nos deu a Pedra da Vida
Os construtores rejeitaram
Ele se tornou a Pedra principal
Não há salvação em nenhum outro
Só Jesus... Só Jesus!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu quero entender





Foi um erro ficar à sombra de seu olhar?
Ficar à espera do seu palpitar
Eu quero entender
As manhãs nos esperam
A vida nos espera
Para a batalha do viver
Há uma luta interna
Dentro em mim
Vem me ajudar
Estou só neste final de tarde
Vou fazer pipoca
Vamos ver o filme de nossas lutas
Onde erramos?
Nas palavras?
Nos afetos?
Foi um erro esperar
Você não veio
Fui à sua casa
Não fui reconhecido
Depois desta odisséia
Só seu cão me esperava
Morreu feliz ao me ver
Eu quero entender
Um animal me reconheceu
Um humano não me viu...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Imagem


De onde surgiu este homem
De onde me vem este robô cinzento
De onde me vem este ser biônico
Dos papiros não mais
Vem dos livros eletrônicos
Aguardamos as profecias
Seus fatos em atos
Um chip na mão direita
Um sinal na testa
O código de barra
Não se compra
Não se vende
666 o número sua senha
Um grande confronto
Joelhos diante de imagem
De onde me vem este homem
Rascunho borrado
Não quis ser imagem de Deus
E sim boneco de trapo
Nem o seu cão o conhece mais
Não era para ser assim...
Quer saber o final ?
O bem sempre vence

quinta-feira, 10 de março de 2011

Logo agora !?


Quando nós vem a chuva não entendemos
Temos de pronto, um logo agora !?
Quando nos vem o sol e seu aquecer
A língua bem afiada logo agora !?
Nossos olhares se vão não percebemos
A exatidão da intervenção
No logo agora nascemos
No campo as plantas
As vidas em um todo
precisam de logo agora
Como é bom um logo agora
A visita na dor
As mãos logo agora em um rosto que sofre
O pão logo agora ao faminto
Um logo agora de paz
As cabeças estão doentes
Pânico, solidão...
Os pés caminham
Guerras sem fim
Mortes, furações
Quem entende do tempo ?
De todas as eras ?
O logos de Deus veio ao mundo
No seu tempo exato
Para nos fazer entender
O porque de um logo agora.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em um canto


Há um canto...
Em armário velho, as sobras
Tintas, pregos e parafusos
Há um baú onde estão
Presente e passados
Álbum com lembranças
Um dia talvez eu precise
Consertar alguma coisa
Retocar as paredes
Objetos em cantos guardados
O cheiro do desprezo
O mofo do abandono
Mas um dia eu posso precisar
Dias e anos, a ideia
Posso precisar...
Crianças não toquem nisso
Há coisas que eu vou precisar
Em nosso coração a um canto
Como um baú bem fechado
Onde colocamos Deus
Um dia eu posso precisar...
Um deus, ideia, objeto
Em nossa tolice
Guardar o que não é limitado
Guardar o insondável
Ele está em todos os espaços
Em toda casa
No céu, na terra
Além das estrelas, ele está
Não se guarda o que não se tem
O Deus criador nunca será sobra
O deus objeto está morto
O Deus verdade está vivo
Para quem o conhece
Ele está em todos os cantos
Nunca será sobra
Nem sombra
Ele é luz.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Repetição


Nas repetidas manhãs
Nos vêm os pardais
O orvalho e flores
A vida em festa para quem traz seu repetido olhar
O crepúsculo se repete
Na noite as estrelas repetem seus brilhos
Para quem traz seu repetido olhar
Nos tornamos velhos em repetir a juventude
Nos tornamos jovens em repetir ser criança
Nos tornamos bons músicos
Repetindo o manuseio com o instrumento
Nada se apresenta pronto desde o berço
Repetidas sensações, nos trazem o prazer
O Belo e o bom nos invade a alma
Quando repetimos nosso olhar
Olhar de uma só vez é virtual
O repetido olhar nos faz real
O olhar paixão, olhar de amor
Repetir o perdoar
Setenta vezes sete...
Comunhão, recomeçar
Em repetições o que se deve rejeitar ?
O que mata o corpo ?
O que destrói a alma ?
O que esperar de uma olhar a primeira vista ?
A confirmação de um amor
Repetição de olhares confirma a intenção
Tudo em nossas vidas são atos de repetição
Palavras repetidas, séculos após séculos
Quem crer em mim... repetirá o que já fiz...
Ressurgir dos mortos
Repitamos a nossa atenção
O dia se aproxima
E neste dia não haverá mais tempo
Para repetição.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

João 3:16


Sempre no mesmo trem
Santa Cruz à Central
Vagões lotados, homens prensados
Cansados, olhares fundos e mudos
A cada estação um turbilhão
Empurrões, palavrões, ufas!
Falta assento, falta espaço
Os camelôs aos gritos
Amendoim torradinho
Bala de hortelã
Quem vai querer ?
Como viaja o pensamento...
Os que constroem casas não têm tetos
As que fazem sapatos andam de chinelos
De repente surge um magrinho
Quebrando o sono de todos
Porque Deus amou o mundo de tal
Maneira que deu seu filho unigênito para todo
Que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna
Terminava dizendo João 3:16
Quero dormir, cale a boca !
Outros, aqui não é lugar !
Eu não mereço, dá um tempo!
O magrinho não calava
Repetia as palavras
Colocando sua cabeça na bandeja do julgar
Risos, deboches silenciosos
Uns vendem balas, outros amendoim
Eu não vendo nada, trago a resposta
Para sua viagem... viagem pro céu
Os olhares sem nada entender
Todos os dias o magrinho clamava
No balanço do trem
Acordava alguns para A Vida
Com seu João 3:16

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tenho pensado


Nas tardes chuvosas
Fico em meu leito cismando
Elucubrações são muitas
Nosso tempo, as vidas
Sou um caniço pensante
O vento vem para vergar
Reflexões prosaicas são mais agradáveis
Mas temos coisas graves, inumeráveis
Não são banais
As possibilidades são muitas
Sabe o que muitos irão fazer amanhã ?
Chorar e lamentar
Os poderosos irão cometer os mesmos atos sórdidos
São sessões de torturas, que prazer!
Gente que fala contra o tráfico
Usa cocaína, na beira de suas piscinas
A sociedade a beira de sua falência
Tudo descrito em tintas confusas
Obscura tragédia em que mergulhamos
Como será o jornal amanhã ?
Ele nos revela aos poucos
A poesia também precisa mostrar
O que muito se recusam a ver
Voltemos nossos olhar o mais rápido
À lama em que nos colocamos
Ou fomos colocados?
Amanhã nosso rosto pode ficar mais sujo
Quando as nuvens estão carregadas
Sabemos que vem chuva
Há momentos que não temos clareza
Que direção tomar
Mas precisamos saber o que evitar
Entre o falso e o verdadeiro prezar
Há quem só acredita em seus sentidos
Há quem não acredita nada além dos seus sentidos
Sou um caniço pensante
Tudo está consumado
Guardo dentro de mim
Eles não sabem o que fazem
Tudo está consumado
Jesus foi além de um túmulo
Nos ensinou a fazer distinção
Entre vida e a morte
Sou um caniço pensante
Como estará o mundo
No dia de sua volta ?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Emigrar


Meu pensar tomou assento
Em um vento de pensar
Lágrimas em meu olhos
Não deu pra relaxar
Um silêncio que maltrata
Veredas de um sofre
Como me fazer entender
Eu preciso sorrir
Exilado em mim mesmo
Só... não se é feliz
As canções não tem sentido
As flores não tem beleza
Na boca nada é mel
O sol não é o mesmo
Das manhãs de primavera
O mar não é o mesmo
Das tardes de brisa
As dores, os dissabores
Maltratando minh'alma
Onde eu errei ?
Em dar amor
Em perdoar
Querer o bem
Deus quero emigrar
Onde estou não quero ficar
O belo ato ouvir
Tudo é vaidade e vento que passa
Quero correr em seus ares
Em suaves pensamentos
Respirar seu oxigênio
Com janelas e cortinas abertas
Há tempo para tudo

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Meu solo


Aos botânicos, os jardineiros
Quero oferecer alimento
Conheço a terra
Conheço de água
Conheço de luz
Quero ensina-los o plantar
Há pressa em se colher
A receita do semear
Indicar é não fazer
Não é semear
Faço germinar
A semente menor
Semeador entendo de chão
Semente que não cai no canteiro
Haverá dia de desespero
Solo de pedra a raiz não vai longe
Grandes e pequenos canteiros
Todos precisam aprender
A semente do viver
Semente em espinhos
Cresce sufocada
Quem tem ouvido para ouvir ?
Semente de mostarda
Pequena quase nada
Sombra, alimento dos homens
Abrigo dos pássaros
Vida em harmonia
Quem sabe lavrar ?
O filho do homem
Ele conheço o seu canteiro
Ele é a própria semente
Para um fruto sem fim

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vida boa


Há tempo que não vou
A uma praça
É de graça
Meu tempo
Não vale o dinheiro
Um banco, uma sombra
Uma conversa de amigo
Babás, risos, crianças
Há tempo que não vejo
Jornaleiro, palavras cruzadas
Pipoqueiro, sorveteiro
Crentes pregando,
Coreto e banda
Canções de saudades
Namorados, sorrisos e beijos
Há tempo que não faço feriado
A preguiça de dormir na grama
Pombos, pássaros, fonte
Ipê, flamboyant, azaleia
Outono flores no chão
Há tempo eu não vejo
Pique esconde, amarelinha
Meninas pulando corta
Há quanto tempo
Não me dou este sonhar
A praça resiste
Pesadelos, soldados, malandros
Meninos de ruas, postes sem luzes
Fonte sem água
Praça sem graça
As crianças se foram
Dos homens ficaram
Lágrimas saudades.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tolerância


Havia cavernas
Em meus achismos
No escuro tropecei
Eu me basto
Eu me acho
Gato e guizo
Quem quer se arriscar?
Atire a primeira pedra
Quem já foi vidraça
Tolerância eu quero
Como conter o perigo
Sem água, sem pão
Perpetuei conhecimento
Sem fundamentos
Falar e nada dizer
Dizer e nada viver
A dúvida como premissa
O que fazer?
Eu e meus achismos
Como saber sobre a luz
Vivendo em uma caverna?
Platão já dizia...
Cristo quem melhor falou
Eu sou a luz do mundo
Nada há encoberto
Que não haja ser descoberto
Fatos que não se vê
A fé remove cavernas
Onde está o seu tesouro
Lá estará o seu coração
A Deus ou a Mamom
A quem quereis agradar ?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vida curta


Seremos poucos
No modo de pensar
Fora do comum
A vida é curta
A Verdade é longa
Desde os antigos
Suas necessidades
Sócrates ensinando a Platão
O alimento, suor e dor
Abrigo protetor, busquemos
Mudar a natureza, alto preço
Buscar o amor o eros multiplicador
A busca do mistério
Como não morrer
Nos diz a ciência
Nos diz a religião
Intrigante relação
A vida é curta
A Verdade é longa...
Ansiedade do eterno
A busca deste mistério
Tão próximo de nós
No mais profundo do nosso ser
Quem é dotado de forças
Para se manter?
O filho do homem dizendo:
O reino dos céus está dentro de vós
O Nazareno desvendou o mistério
A mais intrigante necessidade
Rendam-se todos
Aquele que tentar salvar a sua vida
Perdê-la-á
Aquele que perder a sua vida
Por minha causa reencontrá-la-á
Acenda a lâmpada e ande
Vida curta, vida longa....

Eis A vida