sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Emigrar


Meu pensar tomou assento
Em um vento de pensar
Lágrimas em meu olhos
Não deu pra relaxar
Um silêncio que maltrata
Veredas de um sofre
Como me fazer entender
Eu preciso sorrir
Exilado em mim mesmo
Só... não se é feliz
As canções não tem sentido
As flores não tem beleza
Na boca nada é mel
O sol não é o mesmo
Das manhãs de primavera
O mar não é o mesmo
Das tardes de brisa
As dores, os dissabores
Maltratando minh'alma
Onde eu errei ?
Em dar amor
Em perdoar
Querer o bem
Deus quero emigrar
Onde estou não quero ficar
O belo ato ouvir
Tudo é vaidade e vento que passa
Quero correr em seus ares
Em suaves pensamentos
Respirar seu oxigênio
Com janelas e cortinas abertas
Há tempo para tudo

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Meu solo


Aos botânicos, os jardineiros
Quero oferecer alimento
Conheço a terra
Conheço de água
Conheço de luz
Quero ensina-los o plantar
Há pressa em se colher
A receita do semear
Indicar é não fazer
Não é semear
Faço germinar
A semente menor
Semeador entendo de chão
Semente que não cai no canteiro
Haverá dia de desespero
Solo de pedra a raiz não vai longe
Grandes e pequenos canteiros
Todos precisam aprender
A semente do viver
Semente em espinhos
Cresce sufocada
Quem tem ouvido para ouvir ?
Semente de mostarda
Pequena quase nada
Sombra, alimento dos homens
Abrigo dos pássaros
Vida em harmonia
Quem sabe lavrar ?
O filho do homem
Ele conheço o seu canteiro
Ele é a própria semente
Para um fruto sem fim

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vida boa


Há tempo que não vou
A uma praça
É de graça
Meu tempo
Não vale o dinheiro
Um banco, uma sombra
Uma conversa de amigo
Babás, risos, crianças
Há tempo que não vejo
Jornaleiro, palavras cruzadas
Pipoqueiro, sorveteiro
Crentes pregando,
Coreto e banda
Canções de saudades
Namorados, sorrisos e beijos
Há tempo que não faço feriado
A preguiça de dormir na grama
Pombos, pássaros, fonte
Ipê, flamboyant, azaleia
Outono flores no chão
Há tempo eu não vejo
Pique esconde, amarelinha
Meninas pulando corta
Há quanto tempo
Não me dou este sonhar
A praça resiste
Pesadelos, soldados, malandros
Meninos de ruas, postes sem luzes
Fonte sem água
Praça sem graça
As crianças se foram
Dos homens ficaram
Lágrimas saudades.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tolerância


Havia cavernas
Em meus achismos
No escuro tropecei
Eu me basto
Eu me acho
Gato e guizo
Quem quer se arriscar?
Atire a primeira pedra
Quem já foi vidraça
Tolerância eu quero
Como conter o perigo
Sem água, sem pão
Perpetuei conhecimento
Sem fundamentos
Falar e nada dizer
Dizer e nada viver
A dúvida como premissa
O que fazer?
Eu e meus achismos
Como saber sobre a luz
Vivendo em uma caverna?
Platão já dizia...
Cristo quem melhor falou
Eu sou a luz do mundo
Nada há encoberto
Que não haja ser descoberto
Fatos que não se vê
A fé remove cavernas
Onde está o seu tesouro
Lá estará o seu coração
A Deus ou a Mamom
A quem quereis agradar ?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vida curta


Seremos poucos
No modo de pensar
Fora do comum
A vida é curta
A Verdade é longa
Desde os antigos
Suas necessidades
Sócrates ensinando a Platão
O alimento, suor e dor
Abrigo protetor, busquemos
Mudar a natureza, alto preço
Buscar o amor o eros multiplicador
A busca do mistério
Como não morrer
Nos diz a ciência
Nos diz a religião
Intrigante relação
A vida é curta
A Verdade é longa...
Ansiedade do eterno
A busca deste mistério
Tão próximo de nós
No mais profundo do nosso ser
Quem é dotado de forças
Para se manter?
O filho do homem dizendo:
O reino dos céus está dentro de vós
O Nazareno desvendou o mistério
A mais intrigante necessidade
Rendam-se todos
Aquele que tentar salvar a sua vida
Perdê-la-á
Aquele que perder a sua vida
Por minha causa reencontrá-la-á
Acenda a lâmpada e ande
Vida curta, vida longa....

Eis A vida