terça-feira, 28 de junho de 2011

Invisível


Sou insivível
Me visto de palavras de seda
Não me faço invisível
Sou um invisível vivo
Não um transparente morto
Ser invisível é ser perigoso
Quebro prisões
Conserto casas
Choças, mansões
Detenho exércitos
Calo canhões
Há olhos que não me veem
Ouvidos que não me ouvem
Muitos enformam
É de ouro
É de prata
É de pedra
Outros informam
Consumismo mortal
Modelo de caos
Multiplicação de iniquidade
Em muitos o amor se esfriou
Me fizeram invisível
Quem tiver as marcas dos homens
Me faz invisível
Muito irão morrer pela boca
Nem só de pão vive o homem
Como o vento que ninguém vê
Eu existo nos olhos de quem crer
A boca fala do que o coração está cheio

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Flash


Em situações de pouca luz
Um flash pode iluminar
A poesia tão real
Pode ser um sonho
Um Zum, um retrato
A cidade e seus maltratos
O catador de papel
Seu carrinho de Mão
Papéis, plásticos, papelões
Tudo isto pode se tornar
Casa, cama, feijão
Neste vai e vem nas ruas
O sonho de uma sobra melhor
O que vê entre os restos
Um bêbado ao chão
Meninos esticados à calçada
Em outra esquina, três mulheres
Franzinas, marcando o ponto
O que mais lhe chama atenção
Não são os olhos das mulheres
E nem tão pouco seus corpos
São as latinhas de cervejas e suas mãos
Ele aguarda o último gole
Estas latas serão pães
Pensou o catador um pensar ecológico
Em que usina transformar
Os meninos, as mulheres e os bêbados?
Nas usinas dos homens não os vejo...
Quem sabe haverá catadores de homens ?
Carregando estas criaturas
Para a usina de Deus.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inquietação


Inquieta emoção
Ansiedade, palpitação
Cada um inventa a si mesmo
Um dormir acordado
Um virar e revirar
O sonho não vêm
O mundo inteiro não pode completa-lo
Esta vida moderna
A felicidade nos cancela
O mundo quadrado
Um pensar malvado
De de homens desatentos
As aves aprenderam a lição
O alimento virá
Comer, voar e cantar
Mascarar a ansiedade
Tem um prazo de validade
Ela volta acompanhada
Braços dado com a angustia
Cheia de mal humor
Sob o impacto da pedra
Sob a fluidez da água
Não fuja
Não escape
Não me troque
Eis a grande verdade
Sem mim nada podeis fazer

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Adversos


Vivenciar o pior da vida
Sem se desesperar
Vivenciar as perdas
Sem se perder
No infortúnio saber lidar
O abandono
A traição
A exclusão
Risos e lágrimas
Vivenciar o insucesso
Celebridade esquecida
Pobre mortal de fato
Longe das luzes
Em dias cinzentos
Nada de sol
Nada de flores
A doença no corpo
A doença da alma
Vivenciar o imprevisível
Como conter este meu viver!?
No silêncio do meu quarto
O Mestre mostrou-me
Sua vida, sua dor
Quando tudo era adverso
Eu me fiz assim
E digo faça assim
Serenidade... na adversidade
Busque a minha paz