segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nossos dias


O asfalto queima os pés
Há meninos malabalistas
No sinal fechado, limões em mãos
O artista sem máscara
De uma vida amarga
São poucos os segundos
Por umas moedas
Já me vem um outro
Lavar o parabrisa
Quem tem carro precisa enxergar
Quem tem fome precisa comer
Os homens se apressam
O coração se fecha
Antes que o sinal
Não quero, não tenho
Outra dia...
A fome pode esperar...
Limões aos ares não caem ao chão
Nem se faz limonada
Vida azeda, mais que ácida
Muitas mães, muitos irmãos
O sinal em atenção
Os homens estão fechados
Gravitando em seu pensar
Bandidos!...Perigo!
Não foram os meninos dos sinais
Que comeram a merenda das escolas
Foi um bicho chamado homem
Ele devora as crianças
E está solto pelas ruas
Distribuindo cestas básicas

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Seu olhar


Onde está seu olhar?
Não atravessa as ruas
O sol que muitos precisam
Ele poderia ser
Apenas um olhar
Sem um olhar
Não há vida
As ruas e suas agonias
Um olhar liberta o riso
Um olhar liberta a alma
Derruba muros
Aproxima os rostos
Um olhar faz bem
Traz as manhãs
Com a exatidão
Do bom, do belo
Do feio, do péssimo
Um olhar nos faz pensar
Para quem olhar?
Um olhar torto
Um olhar morto
Um olhar vazio
Nada reto
Nada justo
Lágrimas...
Aonde anda seu olhar?
Se seus olhos forem mal
Todo seu corpo será mal