quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os muros

O eu fez um muro
Não quero enxergar o outro
O desejo do eu o aliena
O eu não se nutri da falta do outro
O eu, senhor solitário de um pensar
Aniquila o se dar, o se doar
Tem ao seu redor
Jardim para quem as flores?
Ao outro, o jardineiro?

O eu o dono da casa
Não sente o ar
Não sente o cheiro da terra
Não consegue conceber
Abelhas e mel
O eu e a tentação...
Excluir o outro
Intolerância as diferenças
O eu e o outro... divisão
Estradas, povoados, plantações
O eu e o outro suas razões
Muros, cercas
O eu não percebe o outro
Porque no escuro o eu
Vem sem rumo
Sem prumo
Cambaleante
Beber da água do outro
Derrubando os muros
Se findando nos braços do outro

domingo, 7 de agosto de 2011

Incomparável





Nada fora como aqueles dias
Maravilhas, espantos
Não fora em Atenas
Roma, Paris
Não fora em New York
A eternidade fizera uma vírgula
Na pequena Belém
Todo cosmos a indicar
É de lá que virá
Algo sobre natural
Um coral celestial
Presente ao fato
Canções do alto
Reverência ao pequeno Deus
Os homens atemorizados!
Uma boa notícia
A melhor de todas
Nasceu o Salvador
Que é o Cristo o Senhor
Herodes, Cesares, fariseus hipócritas
Fora perseguido desde menino
Por cuidar das coisas de seu Pai
Seu olhar incomodou
Os tolos e seus negócios
A Virtude Maior confrontando
A luz contra as trevas
Que mata os desavisados
A Virtude Maior contra o pai da mentira
A mentira que mata, roupa e destrói
O incomparável falou de pão
Falou de água e salvação
O mar ouviu seu mandar
A multidão o seu sermão
Se não nascer de novo...
O que é carne é carne
O que nasce do Espírito é espírito
Ele libertou o homem do pó
Revestindo de incorruptibilidade
O sereno, humilde, o amigo
Vendido por trinta moedas
Traído com um beijo
Trocado por um malfeitor
Uma cruz foi seu trono
Incomparável, sangue do justo
Gota por gota
A garganta seca
Voz de amor
Perdoe pai, eles não sabem o que fazem
O sol se apagou...
Um brado ecoou
Tudo está consumado!
A vida estava morta!
O deboche, o escárnio e a mentira venceram!
Jerusalém, Jerusalém, túmulo vazio !
Cidades de todo universo
O eterno não morre!
O eterno está vivo!
O incomparável virá entre as nuvens
E todos os olhos o verá
De forma incomparável