sábado, 17 de março de 2012

Penso logo...


Meu Caro René quero entender
Angustiante realidade das cidades
Seres, pessoas sem reconhecimento
Seres aniquilados
Catástrofe humana, inverno de morte
O amor, não amou, esfriou...
Não-pessoas em todas as partes
Não-pessoas, estranha classe de pessoas
Desaparecem nos presídios
Não há juiz de Plantão
Nos corredores dos hospitais
A espera da morte
Não há médico para as não-pessoas
Caro René quero apenas dizer
Não há nada tão angustiante
Do que existir, não existindo
O que é ignorado não existe
Há não-pessoas nas ruas, nas calçadas
Nas escolas, nos abrigos, nos cortiços
Descartes... penso em exclusão
Há um buraco negro em nossa selva
Ignorar as não-pessoas será o fim
Um mundo quadrado, patologicamente
Condomínios doentes...desagregação da mente
Não há aproximação, anomalia, esquizofrenia
O que desejamos? para onde ir?
Sempre que desejamos, nos falta algo
Desejamos o que não somos
Assim o desejo é sempre o que nos faz falta
Precisamos do outro para existir
Pessoas, gente como a gente.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Aldeia




Me doeu pensar assim
Quando alguém me diz não
A vida diz sim
Há tribos com iPod, batatas fritas
Não me venha com seu pensar
Vou baixar a banda da hora
Os índios de minha terra
Sem opções
Pensar em Dourados
Não há ouro
Não há prata
Comer e beber
Coca-cola, hamburguer
X tudo, X salada
Não há peixe, mandioca
Vidas em desafetos
Vidas Afetadas
A morte não agenda a hora
Estamos na mesma canoa
Imagem efémera
Vaidade, das vaidades
Tudo se vai...