sábado, 10 de novembro de 2012

Flanar






Quero flanar
Ser uma pena
Levado ao vento
Sondar o precário
Nosso outono trágico
Ausência de primavera
Folhas e homens ao chão
Tudo que não sei
Eu sei... aprendi nas ruas
Flanei  nos becos
Nos  labirintos dos guetos
Embaixo das pontes
Tropeçam os homens
Em pedras, pobres zumbis
Precariedade extrema
Flagelos sem opção
Entre lama e sangue
Flanei a conversa 
De uma criança... 
Marcou-me a sua alegria
Feriu-me sua dor
Sem confidência, sem fingir
Domingo vou passear
Vou ao presidio
Lá está minha mãe
Ela fez o que não devia
Em meu flanar
Eu os vi  bebendo refresco
Com bolo de fubá
Entre os muros cinzentos
Os guardas não podiam conter
Lágrimas e risos de felicidade
A meiguice de uma mãe que sofre
Voz embargada, sussurros...
Não pegue no que é do outro
Fique livre... siga limpo...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sinal


Tu me pedes um sinal
O de Jonas ti basta
As pedras clamam
Em Társis não se chega
Tens fugido da verdade
Uma nova Nínive haverá
Com o seu olhar de carne
Não consegues enxergar
Tu me pedes um sinal
O clamor de dores,
Clamor de horrores
Tem chegado a mim
Tu me pedes um sinal
Eu virei nas nuvens
Uns se alegrarão 
Outros chorarão
Todos os joelhos se dobrarão
A grande Babilônia jamais será achada
Haverá um novo céu,
Uma nova terra
O dia, a hora, só ele saberá
Vigiai!, Vigiai!
Quem vos fala é maior que Jonas.