segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Sem alma

Sou peregrino andando em mim
Ruas, avenidas, alamedas
Sem RG, poeta se disfarça
Andarilho só quer ser livre
Na cidade sem alma
Eu viajo... a seta está cravada
Em um mundo em desencanto
Não há destino para andarilho
Vou no silêncio das luzes
Voando feito pluma
Consigo ver a inutilidade
De quem não quer olhar
Eu percebo a falta de ar
Na cidade dos objetos
Na cidade sem alma
Há adultos fora da hora
Crianças sem escolas
Hospitais sem médicos
Esqueceram, o que somos
Não quero ser um objeto
Sou um ser em extinção
Consigo descançar 
A sombra dos insetos
Nas trilhas das formigas
Consigo entender suas idas e vindas
O sentido do  trabalho
Antes do inverno
Sou peregrino, não mendigo
Não vivo de esmola
Tenho no bolso ar
Tenho no bolso a água
O sol é meu companheiro
Sou rico, busco almas
Sonho viver em uma cidade
Cidade da Utilidade
Onde os homens  são meninos
E meninos homens com almas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Presente

Brotada em água 
Não uma Vitória- régia
Arte do homem...
Por poucos dias,
Flutua a majestosa
Olhares diversos
Olhares dispersos...
Longe de sua sombra
Distante são seus frutos
As luzes e brilhos
Um espetáculo!...
Presente da cidade
A cidade está nua
A cidade está suja
Mendigando suas dores
Maquiaram seu rosto
Vejam a grande árvore!
Realmente a maior de todas
Logrando o sentido do nascer
O natal do menino Deus
Presente por poucas horas
Por poucos dias
Pelos frutos se conhece
A árvore e o agricultor
E o dono da terra
Diz:-Quero seu coração
Da-me  ele de presente
Sua mente está doente
Nasça de novo
Este é o maior presente
Que todos precisam ganhar