sábado, 21 de dezembro de 2013

Selfies

Esticar o braço apontando para o rosto
Autorretrato se espalha...
Há uma intenção, prazer, diversão
O mundo é dos Selfies...
Vivemos de imagens... vivemos à narcisar
A vida é mais que imagem 
A imagem pode ser vida
Perpetuar o tempo,
Perpetuar o espaço
0 gene do ego
Richard Dawkins  diz isto
Gene de uma cultura
Luzes que geram cópias
Agradáveis,com risos
Não tão bem com lágrimas
Possuem um significado
Imagem do lado de fora
Estamos em uma corrida
Na velocidade da luz
Logo virão as imagens de dentro
Retrato do pensamento
Saberemos os intentos
Imagens ou máculas?
Símbolos do bem
Símbolos do mal
Onde encontrar coragem
para mostra seu perfil de dentro?
imagens de todo seu pensar
A hora irá chegar
Não sei se haverá Selfies
Querendo compartilhar
Suas massas cinzentas
faces sem ceras

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

fragmentos

Pedaços dos que não tem pedaço
Não quero ser universal
Há dor em minha aldeia
Há ex-homens, ex-meninos
Pedaços dos que não tem pedaço
Tolstói ! falo de minha aldeia
Onde nas praças há um exército
Dormindo em caixa de papelão
Há um aviso: Cuidado frágil
Não é sátira nem virtual...
Sísifo global
Há uma ferida em minha aldeia
O trinômio hoje é outro: guerra, droga e fome
Estamos na era das chacinas
Pensam muitos porque plantar árvores  e não
ver seus frutos?
Porque ensinar os meninos se não vemos os homens?
Em nossas praças tropeçamos em pedras
Estamos mumificados com nossas teorias
Seres franzinos... juntam suas latinhas
elas se transformam em pão, pedra e pó
Não há tempo a era é da velocidade
Não se brinca,não há sorriso
Há dias que não somos capazes
Voltemos amanhã, será que haverá?
Nos falta a continuidade...
Quem irá viver a sombra do que plantamos?
Se é que plantamos
Dê seu pedaço a quem não tem pedaço
Deixemos nossa rede virtual
Precisamos pescar homens
Mesmo na ausência de um mar
Imaginemos ancorar nosso barco no céu
Há vidas em nossas portas
Estamos afetados, infectados
Já dormimos por demais
Há um inverno aqui dentro
E muito mais frio lá fora 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sem sentido

Uivam as cidades,  gemem os homens
Serpentes ardentes voam no asfalto
Assolação da destruição
Uivam todos, soberbos e tiranos
São horrendos  nossos dias
Um bloco negro que já havia em nós
invadiram as ruas
Feito língua de sapo
Contida quando alimentada
com  roupas de marcas
Exposta quando busca seu mosquito
mau por mal
Não mostram suas caras
Não é preciso
São pelos frutos que se conhece a árvore
Uivam as cidades em busca de um culpado
Os homens escondem seus rostos
Se me ouvires comereis o melhor da terra
Coração negro, face escondida
Black bloc  tênis negro da Nike
Não haverá mais cidade
O mal tornará estopa 
Sua obra faísca
Ambos irão arder
Não há ônibus nem metrô
Lixeiras não haverá
Como fugir? Para onde fugir?
Só se vence o mal com o bem
Isto é  para White bloc
Dos que não escondem suas faces

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Olhar de pedra

O que me afeta 
Olhar de pedra
Ele me afeta
Eu estou sóbrio
Seu olhar embriagado
Não me vê
Não se move é pedra
Lágrimas poeira...
Por alguns instantes
Quero ser seus livros
Uma história de amor
Com abraços e beijos
O que me afeta
Seu olhar de pedra
Não sou romance 
Sou a pobre poesia
Estou em extinção
Vivo no coração
Durmo em cama de palavras
Me cubro com versos sem rimas
Sonho por um olhar 
de carne é osso
O mundo está paralisado
Me diga eu já morri?
Estas vivo!
Sua amada mais ainda
Poesia minha querida
Há olhares que são pedras
Outros poucos retinas

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ser Síria

Quero remover escombro
Vejo reverberar nesta catástrofe
Olhares sem bússula, paredes sem portas
Não há vizinhos nem visitas
Não há escolas, igrejas, mesquitas
Não há chaves para alegria
Rostos apagados pelo medo
De todos os males o que mais mata
A verdade dos homens
Na Síria há uma fome de matar
Na Síria uma fome de morrer
Exterminação do outro, porque  é o outro
Violência fascista sangue em toda pista
Há uma bruma no céu de Damasco
Há inocentes, idosos, indigentes
Seres caidos ao chão
Bruma, maldita!
Não haverá flores, só dores
Pode haver mais horrores
Armas quimicas
Mortos em pé, mortos deitados
De quem é a culpa?
Vamos remover escombros
Onde há crianças?  onde ser Síria?
Em algum lugar, onde houver comodidade
Senhores do chá das cinco
Em suas amenidades de gole em gole
Pense suas chacinas... triste cina
Nos ajudem a ser Síria

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Silêncio

Seu silêncio me dói
Seu olhar não me vê
Quero o porque?
Quando busco viver
Busco vidas
Busco seu oxigênio
Busco gerar palavras 
Grito ao seu silêncio
Não me deixe morrer
Seu olhar mudo
Sua indiferente
Deixa eu esfregar seu coração
Meus dedos tem palavras
Linguagem necessária
Lenço para os olhos
No tempo dos sem tempo
Tempo dos sem afetos
Tempo líquido, éter
Nada concreto
Pele sem alma
Visão congelada
Só pra lembrar
Há palavras...
E elas foram ditas
Não tente mata-las
Elas brotam em versos
Irão dizer em seu sono
Acorde... sinta meus beijos
Palavras... poesias

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vandalizar

Vem de longe está perto dos homens
Vem de longe está dentro dos homens
Sua escolha, o conhecimento
Sendo assim comeu o fruto do mal
Vandalizou a árvore do éden
Errante Caim, vandalizou Abel
Arquiteto de ruínas
Dentro de si, cinzas
Em casa, nas ruas
O verbo vermelho
Sangue de dor
Vem de longe
E não se basta
Como traça
Final de guerra
O verbo do terror
Vandalizar, acabar se acabar
Homens sois pó das tolices
Viveis as mesmisses
Sua trama é lama
Palavras de ordem
Sem razão...
Quem fere com fogo
Como fogo será ferido
Paz, justiça
Não se tem
Não se avista
Vandalizar
Foi o que mais se fez
Quem nunca o fez
Atire sua pedra
Os soldados suas balas de borrachas
Nossas lágrimas se misturam
Gás lacrimogêneo
Deus do céu! vandalizamos
Toda terra...Vandalizamos
Seu único filho
Não damos ouvidos
Vandalizamos o amor
Ele continua sózinho
E diz baixinho
Eu sei como não vandalizar.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Retorno


Retorno de uma viagem
O retorno não esperado...
Me aguarde estou indo
Não é preciso estou no Táxi
O que?- estou indo...
Também estou indo...
As novidades em malas
Histórias, o ato do encontro
Logo eu ti conto...
Estou no táxi
Já saí de casa, estou na rua
Retorne meu amor
Retorne...  retorne!
Onde há placa?!
Não há volta
Tudo tão rápido
Velocidade fuzil
Na rua sem placa
Na rua que mata
Pintada de sangue
Não há UPP
Nem Unidade Para Perdidos
O retorno do não retorno
Mais um, dois... mil
Meninos, tiros e fuzis
Balas que não são doces
Não se chora a morte
Estamos todos mortos
Não há culpado...
Tudo por que não há placa
Não há para a vida...
Não há para morte...
Na Vila do desencontro
Apenas mais um ninguém
Assim vivemos na cidade
Nada maravilha...
Onde a culpa é da vítima
Onde a culpa é da placa
Onde uma vida é nada...
Viagem sem retorno
Placa... retorno de lágrimas....

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Foi ontem

Um quintal faz muita falta
Galos, grilos, patos 
Martelar de sapos
Manhãs de ontem fazem 
Manhãs de paz
Cheiro de chuva
Chaminé, cheiro café
O bom acordar
Cantos, pássaros
Chão de terra, relva
Sereno, beija-flor
Um quintal faz muita falta
Orvalho cristal
Roupas no varal
Balanço na mangueira
A espera do carteiro
Um quintal faz falta
Coentro,salsinha
Couve, cebolinha
O cão e seu latido
Foi ontem...
Hoje meu acordar
Sirene de bombeiro
Chão de malícia
Milicia,polícia
Nada de flores
Nada de abelhas
Vida nada mel
Alegria artificial
Homens cegos, mudos
Homens surdos
Suas telas games de guerra
Imagens em 3d
Gafanhotos devoram 
A fauna, a flora
Sapo martelo volte com seu martelar
Traga meu quintal
Quintal que fora ontem

sábado, 27 de abril de 2013

Fome


















Tenho fome da palavra
A palavra exata
Tenho buscado
Ela está no ar
Ela está na terra
Ela está no mar
Quero come-la
Ela e doce na boca
Amarga no ventre
Os dias são maus
Busco ver o bem
O mal está a porta
Absinto em meu peito
Tenho fome de encontra-la
Subirei as nuvens
No mais profundo da terra
No Abissal do oceano
A palavra exata
Pisada pelos homens
Maltratada pelos tolos
Desprezada pelos fortes
Ele e doce na boca
Ela e amarga no ventre
É preciso come-la
Ela aproxima
Ela nos afasta
Ela enxuga
Ela trás lágrimas
Doce na boca
Amarga no ventre
Não mais dores
Eis a palavra
Vida aos corações
A quem se fizer de menino

quarta-feira, 27 de março de 2013

Por um fio

A vida  se desforma
Como os relógios 
Surrealismo de Dalí
Nosso realismo daqui
O tempo escorre de lá
A vida sangra de cá
Foi assim com o malabarista
Alpinista de vidraças
Foi assim na Paulista

Um ciclista caído na pista
Seu braço caído em um riacho
A procura do seu dono
Agora um semi-abraço
A vida está por um fio
Vodkas, energéticos, volantes
Não se vê o outro  
Não se vê a si
Vida por um fio
Balas perdidas
Babás enfurecidas
Dores...feridas...
Freud não explica
Vida por um fio
Tiros de fuzis
O vil metal maltrata
O vil metal que mata
O animal que sou
Jacques Derrida... estamos a deriva
Quem é animal , quem é humano?
O animal está nu, sempre nu
O homem se esconde
Suas máscaras, suas roupas...
Seu drama, teatro insano
Em um ato foi-se um braço
Em outro ato deu-se a vida
Quem estava por um fio
Deu a outra face
Face de perdão
Da desolação
A sublime lição
Eu preciso aprender
Não feche a cortina...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Perguntas

Tenho feito pouco, sou bem pouco
Em tela meu pensar
As palavras dizem não há mover
Para isto se presta um poeta
Chorar um jardim sem flores
Vidas sem amores
Ruas sem sabores
Para que se presta um poeta?
Gritar seus versos em um abismo
Mesmo não tendo ouvintes
Perfurar corações de pedra
Até que venha sangrar
Para que presta um poeta?
As palavras são games
Brinquedos são versos
Os olhares não brincam
Lágrimas do poeta
Ver sujeitos sem conteúdo
Sem  consciência de si
A que se presta sua poesia?
Dizer o que o alegra
Dizer o que o entristece
O afastamento silencioso
Sem chance de um retorno
Árvores sem frutos
Praças sem crianças
Homens zumbis, zanzando
Olhares para o nada...
Para que se presta o poeta?
Tirar seu olhar do espelho
Deixando de se Narcisar
Antes que tudo pereça
Há vidas lá fora...
Vidas precisando de Vida
Se apressa poeta!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Água

O sol sempre... não faz sombra
Os dentes de brasas marcam
No chão rachado rastros de peixes
O mandacaru esconde sua flor
O gado bêbado por não beber
No céu sinal de fogo
Água ausente ... lágrimas
No estradão barrento
A miragem de umas gotas
Água... será água?
Promessas, rezas, ladainhas
Linguas secas clamam
Banho é luxo, me de migalhas
Gotas, dois dedinhos de água
O sol não se vai
Meu boi se foi, morreu torrado
Sertão sua cima
Morte ao homem
Quem se importa?
Sertão sem pão
Sertão sem feijão
Minha esmola de sempre
Bolsa família dos secos
Nada... nada de molhado
Sertão sua cina
Chuvas de promessas
Rio de salivas...
A água há de brotar
Depois do carnaval
Restos de uma fantasia
Água... água...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Um pouco


Há em nós um pouco do pó
O pó das galáxias, do infinito
Temos um pouco, vejo grãos
Temos pitadas de um muito
Da areia que já foi rocha
Temos o crepúsculo
Um pouco do dia, 
Um pouco da noite
O mesmo de nossa aurora
Temos um pouco da visão
Temos um pouco da cegueira
Um pouco do lobo,
Um pouco carneiro
Somos real, ilusão
Temos um pouco do saber
Um pouco de não saber nada
Temos um pouco da vida
Temos um pouco da morte
Apenas um pó do principio
Átomos, moléculas
No infinito um navegar...
Em  torno do sol
Dias de luzes, dias de sombras
Somos um pouco herói
Somos um pouco bandido
Somos um pouco do amor
Somos um pouco dos prazeres
Somos pouco em um viver
E vivemos muito pouco
Um grão de mostarda
Abstrato grão de fé
Aos poucos... O Eterno nos espera