terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Perguntas

Tenho feito pouco, sou bem pouco
Em tela meu pensar
As palavras dizem não há mover
Para isto se presta um poeta
Chorar um jardim sem flores
Vidas sem amores
Ruas sem sabores
Para que se presta um poeta?
Gritar seus versos em um abismo
Mesmo não tendo ouvintes
Perfurar corações de pedra
Até que venha sangrar
Para que presta um poeta?
As palavras são games
Brinquedos são versos
Os olhares não brincam
Lágrimas do poeta
Ver sujeitos sem conteúdo
Sem  consciência de si
A que se presta sua poesia?
Dizer o que o alegra
Dizer o que o entristece
O afastamento silencioso
Sem chance de um retorno
Árvores sem frutos
Praças sem crianças
Homens zumbis, zanzando
Olhares para o nada...
Para que se presta o poeta?
Tirar seu olhar do espelho
Deixando de se Narcisar
Antes que tudo pereça
Há vidas lá fora...
Vidas precisando de Vida
Se apressa poeta!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Água

O sol sempre... não faz sombra
Os dentes de brasas marcam
No chão rachado rastros de peixes
O mandacaru esconde sua flor
O gado bêbado por não beber
No céu sinal de fogo
Água ausente ... lágrimas
No estradão barrento
A miragem de umas gotas
Água... será água?
Promessas, rezas, ladainhas
Linguas secas clamam
Banho é luxo, me de migalhas
Gotas, dois dedinhos de água
O sol não se vai
Meu boi se foi, morreu torrado
Sertão sua cima
Morte ao homem
Quem se importa?
Sertão sem pão
Sertão sem feijão
Minha esmola de sempre
Bolsa família dos secos
Nada... nada de molhado
Sertão sua cina
Chuvas de promessas
Rio de salivas...
A água há de brotar
Depois do carnaval
Restos de uma fantasia
Água... água...