quarta-feira, 27 de março de 2013

Por um fio

A vida  se desforma
Como os relógios 
Surrealismo de Dalí
Nosso realismo daqui
O tempo escorre de lá
A vida sangra de cá
Foi assim com o malabarista
Alpinista de vidraças
Foi assim na Paulista

Um ciclista caído na pista
Seu braço caído em um riacho
A procura do seu dono
Agora um semi-abraço
A vida está por um fio
Vodkas, energéticos, volantes
Não se vê o outro  
Não se vê a si
Vida por um fio
Balas perdidas
Babás enfurecidas
Dores...feridas...
Freud não explica
Vida por um fio
Tiros de fuzis
O vil metal maltrata
O vil metal que mata
O animal que sou
Jacques Derrida... estamos a deriva
Quem é animal , quem é humano?
O animal está nu, sempre nu
O homem se esconde
Suas máscaras, suas roupas...
Seu drama, teatro insano
Em um ato foi-se um braço
Em outro ato deu-se a vida
Quem estava por um fio
Deu a outra face
Face de perdão
Da desolação
A sublime lição
Eu preciso aprender
Não feche a cortina...