sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ser Síria

Quero remover escombro
Vejo reverberar nesta catástrofe
Olhares sem bússula, paredes sem portas
Não há vizinhos nem visitas
Não há escolas, igrejas, mesquitas
Não há chaves para alegria
Rostos apagados pelo medo
De todos os males o que mais mata
A verdade dos homens
Na Síria há uma fome de matar
Na Síria uma fome de morrer
Exterminação do outro, porque  é o outro
Violência fascista sangue em toda pista
Há uma bruma no céu de Damasco
Há inocentes, idosos, indigentes
Seres caidos ao chão
Bruma, maldita!
Não haverá flores, só dores
Pode haver mais horrores
Armas quimicas
Mortos em pé, mortos deitados
De quem é a culpa?
Vamos remover escombros
Onde há crianças?  onde ser Síria?
Em algum lugar, onde houver comodidade
Senhores do chá das cinco
Em suas amenidades de gole em gole
Pense suas chacinas... triste cina
Nos ajudem a ser Síria

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Silêncio

Seu silêncio me dói
Seu olhar não me vê
Quero o porque?
Quando busco viver
Busco vidas
Busco seu oxigênio
Busco gerar palavras 
Grito ao seu silêncio
Não me deixe morrer
Seu olhar mudo
Sua indiferente
Deixa eu esfregar seu coração
Meus dedos tem palavras
Linguagem necessária
Lenço para os olhos
No tempo dos sem tempo
Tempo dos sem afetos
Tempo líquido, éter
Nada concreto
Pele sem alma
Visão congelada
Só pra lembrar
Há palavras...
E elas foram ditas
Não tente mata-las
Elas brotam em versos
Irão dizer em seu sono
Acorde... sinta meus beijos
Palavras... poesias