terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ser negro

Não consigo respirar...
Meu mal, nascer na cor errada
Sonho de Luther, igualdade
Não consigo respirar
Há morte em série...
aos que tem a cor errada
Morrem sem piedade
Não consigo respirar
Policia, justiça matam em série
Aos que tem a cor errada
Quantos são preciso para testemunhar?
Pobre Eric Garner seu crime capital
Ter a cor errada
Morreu com uma gravata
Por uma polícia branca
Que só enxerga o negro, como cor errada
Não consigo respirar...
Como tributo aos de cor errada
Provoco com uma pergunta
Se fosse o contrário
A justiça enxergaria a cor exata?...
Estamos de luto...cor de uma raça.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Semi...

Há um terrível mau
Uma doença em nossas vidas
Absurdo das epidemias
Pior que as dos ratos
A peste ficção de Albert Camus
Verossímil abismo...
Estamos enclausurados
Observando os absurdos
Invasão dos semi-deuses
Excelentíssimos senhores de todos os poderes
Semi-deuses, aos amigos tudo...
Aos inimigos a lei
Semi-deuses não erram, cometem equívocos
Não são corruptos, fazem maus feitos
Semi-deuses de tempos em  tempos saem as ruas
Beijam as crianças dos pobres mortais
Comem  pasteis com  caldo de cana nas feiras livres
Logo depois... Marquem suas audiências
Semi-deuses não se misturam
Não crie ironia a um semi-deus
Ele não é deus mas é quase...
Cuidado com sua ira!
No conselho dos homens um erro
Não se justifica com outro erro
No conselho dos  semi-deuses
Há  uma ética do silêncio...
Semi-deuses dirige seu automóvel sem documentos
Vivemos em nossos dias as dores do poder
Não temos a quem  recorrer
Somos governados e julgados pelos semi-deuses
São eles filhos do deus mentira
Não sentem vergonha

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

As portas

Oh! Nobre de berço
Há percepção sem objetivo
Há  distorção, alucinação
Cores e formas, céu e inferno
Há portas que a percepção é difusa
Over dose sem retorno
Livre Sem Deus 
Navio sem leme
rumo ao admirável mundo novo
Onde o homem ilha se perde em trilhas
O crack, caminho sem rumo
Efeito da mescalina e suas miragens
Morte em vida, porta larga...
Pedras de tropeço...
Só há um jeito de ultrapassar a morte
A certeza no que o olho não vê
Oh, nobre de berço não seremos livres
Se não conhecermos a verdadeira percepção
O quê eu frágil homem posso querer?
Como melhor se  sair das garras da morte?
O homem de Nazaré...e sua percepção
Senhor em suas mãos entrego meu espírito
Três dias....dormindo com Deus
O eterno não morreu
Foi preparar um novo céu um nova terra
O que Aldous Hexley precisava enxergar.




sábado, 13 de setembro de 2014

Colapso na colmeia

Há uma gosma tóxica
Os homens se perdem no caminho de ida
Os homens se perdem no caminho de volta
Há um toxina
pobre inseto
Engenharia genética, arte da desordem
Há colmeias abandonadas intactas
Perderam-se no caminho de volta
Abelhas entoxicadas 
desordem de colapso da colônia
Dezimação
razão sem ética
Abelhas não morrem  na colmeia
Os homens com suas ideias
Grita Walter Haefeker
Os homens estão cegos, surdos
Herbicidas, homicidas
Monocultura, soja suja
Flores de plásticos
Polonizando a sofrida terra
Desordem de colapso na colônia dos homens
Há flores nos buracos das calçadas
a espera dos últimos úteis insetos
Os homens não sonham com mel

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Gota a gota

Aos poucos, gota a gota
Chuva é feito disso
Gota a gota
Os dias são somas
Gotas de olhares
A luz é feita de gotas
Gotas de raios
Mas há muita treva
Olho por olho
Boca sem dentes
Se vão os meninos
Pobres inocentes
Triste cina mães de Israel
Mães da Palestina
Muro gotas de cimento
Rios de lamentos
Sem sabor de leite
Sem sabor de mel
Cores de algozes 
Matizes de vítimas
Cai sobre nós
Sobre nossos filhos
Sangue inocente
Não se lava as mãos
Terra a quem prometida?
Gota a gota escorre ao chão
O reino dos homens
Gotas de pó...


quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Grande Nada

O deus deste século
O Grande Nada
Leva a muitos ao seu alienar
A crença em um Nadarismo
Destruir, aterrorizar
Ferir, matar
Os tolos vedem suas almas
Ele não junta, espalha
Não planta mas quer colher
Não soma só subtrai
Pai dos soberbos, dos tiranos
O Grande Nada, holocausto do terror
Sua ira não se aplaca
Queima ônibus
Saqueia lojas
Impede o ir e vir
Fala em liberdade...
Não tem raiz
Não dá frutos
A covardia em osso
Não tem cara
Esconde o rosto
Seus príncipes
Seus meios, seus fins
Não levam a nada
Nada é nada
Usa roupa de marca
Com perfume de terror

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Busco

Não consigo dormir
Não é minha cama
Tenho procurado, busco...
Nas manhãs em meu lidar
Busco nas ruas, busco nas praças
não a vejo nas lojas
não a vejo nas ruas
Não se ensina nas escolas
O dinheiro não compra
Na fama não se encontra 
O que é caro
é raro
Valor de tesouro
O que transforma o viver
O prazer de um ser
A certeza do certo
A certeza do bem
O gosto do bom
O quê muda o olhar
O que determina um dormir
não vem pela maciez
de um colchão
O sonho que muda toda a realidade
Busco, tenho buscado
Não vejo no mar
Não vejo no ar 
No vejo na terra
O que busco o mundo não dá
Quem sabe onde encontrar?
-Eu dou a minha paz
Invisível aos olhos
Voz que faz dormir
sobre uma folha de jornal
Se dorme o melhor dos sonos
Quando se encontra 
A verdadeira Paz.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Versos soltos...

Há olhares que são pedras
outros retinas
Estamos na era das chacinas
Gostamos de lustres mas nosso
chão está no escuro
Homem carne e silício
lições de neuroses
Escola de homens
As taças das mesmices
Celebram os velhos hábitos
O mal tornou estopa, sua obra faísca
Ambos irão arder
Já sentimos a fumaça
Há palavras elas foram ditas
não tente mata-las
Elas são pão, elas viram vidas
No momento pisadas pelos nobres
maltratada pelos tolos
Os homens e suas escolhas
Vaso quebrados só um novo
Não se colam diamantes
Querem ser barro?
Tens minhas mãos
Faço tudo novo
Gente humilde
Meninos precisam ser homens
E homens, meninos com alma
O mundo não se sustenta
Vive de circo
Não conhece o Pão
Não falei de amenidades...
Quem sabe amanhã
Se houver trarei as flores.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Na terra do possível

Na terra onde vivo 
não há espaço para amenidades
Cidades onde os automóveis não se movem
Nossas praças sofrem de solidão
Flores conversam entre si
Silêncio dos pássaros
Não há olhares de perceber
Os mentigos fazem suas cirandas
Os políticos suas promessas
O homem mau á espera de suas vítimas
Não há sombras, não há sol
Não há meninos, brincadeiras e risos
Tudo muito sério, muito adulto...
não quero esta herança
Vou fazer um outro inventário
Inventário das coisas invisíveis
Crianças podem tocar e brincar

com as nuvens, há nuvens de todas
as formas, carneiros, pássaros, gigantes e formigas
Elas podem brincar junto ao céu
Elas podem brincar junto a terra
Há nuvens para todos os meninos
Há nuvens para os homens
Homens que se deixam
Homens  que enxergam coisas invisíveis
Coisas que o dinheiro não compra
Tudo na vida é feito de nuvens
Como um grande lego...
Há brinquedos de construir sonhos
Há outros que são nuvens vermelhas
inventário de morte
Basta de nuvens de lágrimas!
Busco a certeza nas coisas invisíveis
com minha pequena fé
Remover montanhas
Na terra do impossível, tudo é possível
Aos que semeiam nuvens de paz.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dar voltas

Vamos dar um rolezinho
Sim um rolezinho dentro de nós
Chame os manos, as minas 
Precisamos de um papo reto
Há um abandono intelectual
Escolas sem alunos
Alunos sem professores
Há um abandono,
não se aprende a ser
Neste admirável mundo novo
Só nosso rolezinho é tão velho
Vamos ocupar nossas praças
Nos shoppings só os sentidos fazem sentido
Só o prazer  de se ter, novidades de vaidades
No Maranhão há umas pedrinhas
Escaparam pelas mãos, 
Atingiram Ana Clara
Inocente criança 
Ela pagou o preço
Vamos dar um rolezinho
Hoje pensamos mais em prisões
Onde há escolas?
Dinheiro não se faz o saber
Rio, São Paulo, Brasilia
Tudo na mesma agonia
Vamos dar um rolezinho
Em nosso pobre Piauí
Há um saber em Cocal dos Alves
Vamos dar um rolezinho onde se dão as maõs
Augustinho Brandão onde o dever de casa
se faz bem feito, modelo para muitos
Vamos dar um rolezinho
Dentro de nós
Só se muda se eu mudar
Estamos presos
Não sabemos o que é ser livre
Vida de gado povo marcado pra consumir
Cão correndo tentando pegar sua própria calda
Vamos dar um rolezinho sem pichação
Rolezinho pra construir
Não vandalize seu saber