sexta-feira, 21 de março de 2014

Versos soltos...

Há olhares que são pedras
outros retinas
Estamos na era das chacinas
Gostamos de lustres mas nosso
chão está no escuro
Homem carne e silício
lições de neuroses
Escola de homens
As taças das mesmices
Celebram os velhos hábitos
O mal tornou estopa, sua obra faísca
Ambos irão arder
Já sentimos a fumaça
Há palavras elas foram ditas
não tente mata-las
Elas são pão, elas viram vidas
No momento pisadas pelos nobres
maltratada pelos tolos
Os homens e suas escolhas
Vaso quebrados só um novo
Não se colam diamantes
Querem ser barro?
Tens minhas mãos
Faço tudo novo
Gente humilde
Meninos precisam ser homens
E homens, meninos com alma
O mundo não se sustenta
Vive de circo
Não conhece o Pão
Não falei de amenidades...
Quem sabe amanhã
Se houver trarei as flores.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Na terra do possível

Na terra onde vivo 
não há espaço para amenidades
Cidades onde os automóveis não se movem
Nossas praças sofrem de solidão
Flores conversam entre si
Silêncio dos pássaros
Não há olhares de perceber
Os mentigos fazem suas cirandas
Os políticos suas promessas
O homem mau á espera de suas vítimas
Não há sombras, não há sol
Não há meninos, brincadeiras e risos
Tudo muito sério, muito adulto...
não quero esta herança
Vou fazer um outro inventário
Inventário das coisas invisíveis
Crianças podem tocar e brincar

com as nuvens, há nuvens de todas
as formas, carneiros, pássaros, gigantes e formigas
Elas podem brincar junto ao céu
Elas podem brincar junto a terra
Há nuvens para todos os meninos
Há nuvens para os homens
Homens que se deixam
Homens  que enxergam coisas invisíveis
Coisas que o dinheiro não compra
Tudo na vida é feito de nuvens
Como um grande lego...
Há brinquedos de construir sonhos
Há outros que são nuvens vermelhas
inventário de morte
Basta de nuvens de lágrimas!
Busco a certeza nas coisas invisíveis
com minha pequena fé
Remover montanhas
Na terra do impossível, tudo é possível
Aos que semeiam nuvens de paz.