quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Nossas fomes

Sempre os mesmo desejos
Ano após ano...séculos...
Sonhos de dias melhores...
Por onde o homem passou
Deixou suas marcas...
A maior de todas
A marca da dor da fome
Duvido você ser o mesmo
Depois de ouvir a dor da fome
A maior de todas as dores
Dor da fome...
Ela afeta além do físico
Aos que têm alma, afeta...
Não há nada mais triste e cruel
Que choro em uma criança
Estou com dor!
Mães e pais também famintos
Perguntam por perguntar
E as pobres criaturinhas apertando seus ventres
Respondem estou com dor da fome!
Dor da fome na África, dor da fome na Síria...
A maior de todas as fomes; dor da fome
Tenho fome para ver gerações de  A,Y e Z
Abrindo suas janelas para sentir e ouvir
A dor da fome...
Gerações de Y a Z crie seus inventos
Não se demorem...em seus jogos de guerra
O quê sobram em suas mesas.....
Podem acabar com a dor da fome...






segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sonhos dos peixes

Os peixes sonham com água
O homem é seu fel
Há muitos não sonham com  mel
O Rio que era doce...
De ferrugem amargou-se
Vale de lama...
Gosma de ferro
Há homens que sonham com os peixes
Peixes e homens sonham com água
Todos cobertos de lama
Ferro do vil metal
Pedras rejeitos...escorrem...
Vale que um dia fora doce
Tudo tão amargo...
Casas não há...lares se foram
Lágrimas em lamas
Lembranças se foram
Dias e dias....agonias
Tudo escorrendo ...
Homens indigentes...
flora e fauna...doentes
Rumo ao mar... nossa próxima vitima
Os homens e seus castelos de lama...




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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O preço

Tudo tem seu preço
O trem não pará ...
O da Central, o preço da pressa...
Passemos bem devagar!
Como em um minuto de silêncio
Há um corpo frio sobre a linha
Nada há de se fazer...
Não toque suas mãos!
O trem tem pressa de chegar
De quem  é o corpo?
É do outro...
Não irá se mover
Da mesma forma não irá se mover
O maquinista, o chefe da estação
todos estão mortos
Não morreram naquele dia
Morreram e faz tempo
Estão a cada dia mais frios
A lição do Bom Samaritano
Aqui não se pratica
Desfalecido ou morto?
Não toque é coisa pra perito!
O trem passa bem devagar...
O corpo frio sobre a linha
Corpos frios na plataforma
Assistindo a cena imbecil
Mortos, carregando o morto
Olhares sem ação...
O trem tem pressa...







domingo, 7 de junho de 2015

Falar só

Muitas vezes falo só
Fiel amigo Argos
E você sabe o quê é ficar só
Muitas vezes fico em meus solilóquios
Fiel amigo sempre esperamos nosso Ulisses
Muitas vezes esperamos o último alhar
Não fazemos mais parte das conversas
Refletir dói a cabeça....
Somos deixados de lado
Mundo veloz em todos os sentidos
Poesia, minha poesia, estamos fora da ordem
Quem se importa com nossos versos ?
Contamos nos dedos,somos poucos Argos
Há também poucos Ulisses
Para algumas Penélopes você não mais existe
Como mudar este olhar?
Reciclar vidas....máquinas e robôs
Sangue e Silício...
Eu suplico!
Não quero morrer sem o seu olhar
Tenho palavras,  se eu morrer
Aqui jaz a poesia
Não há túmulo para o que é eterno
eu volto sempre...







quinta-feira, 23 de abril de 2015

Faz tempo...

Agonizam as Savelhas e outros peixes
Faz tempo...a culpa? Não é minha
A culpa não é sua...é do outro...
Sabemos como maquiar nossas águas
Sabemos como maquiar nossas desculpas
Nosso mar, nossas lagoas são vistas do alto
Não é hora para remexer suas águas
Escondam nossos peixes, agora é festa
A esperada festa Olímpica...
disputas, recordes, podiums, medalhas...
joguemos limpo...cuidado com os testes antidoping
e agora maquiaram nossas águas...?
Se tudo for sério nossas águas estão hiper dopadas
eu esqueci, as águas já são punidas faz tempo...
Nossas águas faz tempo, não são águas
quanto  aos nossos peixes...?
Faremos uma nova cidade, Porto Maravilha!
O maior aquário da América Latina
Só não combinaram com os peixes
A onde eles querem morar
Em gaiolas de vidros?
O homem é seus inventos...
Porque não reinventar nosso antigo mar?
Barcos movidos á velas
Somos os primeiros em ilusão
Os primeiros em fantasias
Faz tempo....é preciso uma brisa boa...
Agonizamos entre balas perdidas
Gostaria que tudo isto fosse mentira...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Sons do silêncio

Tenho tentado entender
Não consigo conceber
O que fazer com meu lapidar
Cinzelar o silêncio...escultura de horror
A cada martelar sons de dores
Cinzelar o silêncio...
Abstrato sem rosto
Imagem sem sabor
Gritos...dentro em mim...
Não posso olhar para frente
Se olhar para trás viro estátua de sal
Saio de Sodoma entre em Gomorra
Meu martelar... lapidar de horror
Minha terra está em guerra
Diga-me é mentira ?
Há sons do silêncio
Os homens estão cegos, surdos e mudos
As pedras
Elas são brutas
Clamam por vidas
Voz de trovão...gritos, urros...
Garganta seca... .
Água!...água!
Principio das dores....
O fim disto tudo só um é que sabe.



quarta-feira, 11 de março de 2015

VER O VERDE

As sementes vão ao lixo
São muitas sem chão
Quantas vieram as suas mãos?
Quantas não foram ao chão?
Feito estrelas no céu
Não se pode contar
Não germinam em pedra
Pedra é o que mais há
Sementes vão ao lixo
Vamos juntar...este ouro
Laranja, manga, melão
Caqui, goiaba...sementes ao nada
Ficam ao beira do caminho
Pelos homens são pisadas
Os homens são pedras
Em pedras não vingam nada
Quer ver o verde
traga a sua semente
Aquele que irá ao lixo
Não é preciso muito
Apenas uma semente
Frutos mil...
Aos homens aos pássaros
Vem o pão...a lição
Crianças ensinem aos homens
Como ver o verde
A sombra de uma árvore
Olhe os frutos... sementes milhares!
Sementes, frutos sem fim
Escolas mostrem aos meninos
Papel, plástico, metal e vidro
Final de festa...tudo se presta 
Onde está a coleta das sementes?!
Sementes não são lixo...
Vamos ver o verde
Nem que seja em vaso de concreto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

CEDER

Preciso ceder esta minha sede
Já era tempo, há séculos ...
Preciso ceder a sede de muitos...
Aprender o que nunca para mim foi lição
Sempre bebendo em meu umbigo
Cisternas, cacimbas, nunca foram minha cina
Preciso ceder esta minha sede
Sede de água nas calçadas...
Os gritos de muitos por água
Sertão e suas promessas
Promessas de homens
Promessas para os Santos
Terra seca, me mande água
A sede chegou em outros portas
Falta H2O onde nunca poderia faltar
Preciso aprender a ceder minha sede
Banho sempre foi luxo para muitos...
Com sapato apertado não se pode dançar
Lembro do meu chinelo velho...
Água para matar minhas sedes...
Não cedemos nossas bocas
A quem mais entende de água e sede
Continuar  bebendo água de volume morto?
-  "Quem beber da água que eu lhe ter
do seu  interior irá fruir rio de água-viva
É preciso ceder ...
Ceder nossas sedes, ir de caneco em caneco
Ao dono da fonte
Há um deserto em nós...