sexta-feira, 20 de março de 2015

Sons do silêncio

Tenho tentado entender
Não consigo conceber
O que fazer com meu lapidar
Cinzelar o silêncio...escultura de horror
A cada martelar sons de dores
Cinzelar o silêncio...
Abstrato sem rosto
Imagem sem sabor
Gritos...dentro em mim...
Não posso olhar para frente
Se olhar para trás viro estátua de sal
Saio de Sodoma entre em Gomorra
Meu martelar... lapidar de horror
Minha terra está em guerra
Diga-me é mentira ?
Há sons do silêncio
Os homens estão cegos, surdos e mudos
As pedras
Elas são brutas
Clamam por vidas
Voz de trovão...gritos, urros...
Garganta seca... .
Água!...água!
Principio das dores....
O fim disto tudo só um é que sabe.



quarta-feira, 11 de março de 2015

VER O VERDE

As sementes vão ao lixo
São muitas sem chão
Quantas vieram as suas mãos?
Quantas não foram ao chão?
Feito estrelas no céu
Não se pode contar
Não germinam em pedra
Pedra é o que mais há
Sementes vão ao lixo
Vamos juntar...este ouro
Laranja, manga, melão
Caqui, goiaba...sementes ao nada
Ficam ao beira do caminho
Pelos homens são pisadas
Os homens são pedras
Em pedras não vingam nada
Quer ver o verde
traga a sua semente
Aquele que irá ao lixo
Não é preciso muito
Apenas uma semente
Frutos mil...
Aos homens aos pássaros
Vem o pão...a lição
Crianças ensinem aos homens
Como ver o verde
A sombra de uma árvore
Olhe os frutos... sementes milhares!
Sementes, frutos sem fim
Escolas mostrem aos meninos
Papel, plástico, metal e vidro
Final de festa...tudo se presta 
Onde está a coleta das sementes?!
Sementes não são lixo...
Vamos ver o verde
Nem que seja em vaso de concreto.